O prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, terá de remanejar as famílias que vivem em palafitas erguidas na área do Igarapé Maguariaçu, situado no final da Rua WE-31, no Conjunto Cidade Nova V, no município da Região Metropolitana de Belém. Trata-se de uma decisão da Justiça Estadual, que acolheu pedido do Ministério Público do Pará (MPE).
Publicada ontem no site do MPE, a decisão requer ainda que a administração de Manoel Pioneiro garanta a revitalização e urbanização da área. O motivo apontado na decisão consiste na degradação ambiental e os riscos às famílias que vivem ali em condições insalubres, já que suas habitações estão sobre o igarapé.
O promotor de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Ananindeua, Bezaliel Castro Alvarenga, acompanhou a situação das famílias. O promotor ressaltou que o local não oferece a mínima infraestrutura habitacional e que as famílias deverão ser remanejadas para conjuntos habitacionais gerenciados pelo município de Ananindeua.

Moradores vivem em risco, sobre palafitas, em casas de madeiras, na área do igarapé Maguariaçu. (Foto: Daniel Costa)
REMANEJAMENTO
De acordo com a dona de casa Maria José Costa, 50, as famílias estão cansadas de esperar pelo cumprimento das promessas de remanejamento feitas pela gestão municipal. Ela conta que, após muita insistência dos moradores da área, a prefeitura sinalizou com um residencial próximo à rodovia BR-316. “Toda hora mudavam a data. Agora a previsão é para agosto. Mas a gente já até duvida”, diz.
Maria, que possui uma casa de madeira na área, conta que, na quinta-feira passada (23), as famílias foram chamadas na Secretaria de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua (Sesan) para assinar um documento sobre a data prevista. “A gente perde nossas coisas quando chove, geladeira, fogão. E a casa tá caindo, mas eles dizem que não podemos mexer, porque seremos remanejados”, pontua sobre a situação em que vive.
SITUAÇÃO RUIM
A dona de casa Niceia do Socorro Silva, 35, também vive em uma casa, na área. “Não tenho para onde ir”, lamenta. Ela lembra que perdeu quase todos os objetos de dentro de casa após as fortes chuvas de março. Quando isso acontece, os moradores precisam retirar toda a lama que a chuva traz para dentro das casas. O mau cheiro é constante e insetos e animais peçonhentos surgem. “Enche tudo. A gente adoece”, diz.
OUTRO LADO
Em nota, a Sesan informa que as famílias serão remanejadas, em agosto, para o Residencial Maguariaçu, “onde mais de 400 famílias terão moradia digna”. A nota diz ainda que, após o remanejamento, a Prefeitura fará o serviço o necessário na We 31.
(Pryscila Soares / Diário do Pará)
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