Passados 5 dias de circulação, em caráter experimental, dos ônibus articulados do BRT, a condição do trânsito nos corredores exclusivos da Avenida Augusto Montenegro, em Belém, ainda tem gerado confusão para os pedestres. Ao longo das primeiras horas da manhã de ontem, o que mais se via no local eram pessoas atravessando em local inapropriado ou caminhando pelas canaletas da via expressa.
Sem atentar para o grande risco que enfrentava, o aposentado Benedito Farias, 64 anos, passou alguns minutos parado no meio da canaleta do BRT. Assim que percebeu uma brecha no trânsito, o idoso atravessou uma das pistas até a faixa central. Ao chegar lá, porém, não conseguiu atravessar para o outro sentido da avenida e se viu preso no corredor por onde transitam os ônibus articulados e os expressos, além de veículos do sistema de segurança pública. “A gente atravessa e acaba ficando aí no meio”, disse Benedito.
INFORMAÇÃO
No local onde ele tentava atravessar, no segundo semáforo após o Entroncamento, uma faixa de pedestres e um semáforo sinalizam a travessia. Para o aposentado, porém, seria necessário que alguém permanecesse no local explicando a nova configuração do trânsito para os pedestres. “O ideal é que o pedestre tivesse mais informação”.
CONSCIÊNCIA
No trecho com maior fluxo de pedestres da avenida, a partir do Complexo do Entroncamento até a Rua da Marinha, 4 semáforos garantiam a travessia, porém só foram encontrados auxiliares de trânsito em 2 deles. Para o aposentado Dário Souza, 72 anos, campanhas educativas poderiam ajudar a conscientizar os pedestres dos riscos de se atravessar em locais impróprios. “Se os pedestres, motoristas e ciclistas respeitassem um ao outro, não teria problema. Mas é difícil quando as pessoas não tem consciência”, ponderou o aposentado.

O vendedor Janair Marcelo conta que já viu situações de perigo. (Foto: Fernando Araújo)
“Agentes ficam onde tem menos gente”, diz vendedor
Às proximidades da rua Péricles Guedes, onde não havia guardas, a imprudência destacada pelo aposentado Dário Souza era praticada também por ciclistas e motoqueiros. Enquanto os pedestres tentavam atravessar na faixa, bicicletas cruzavam o local e até motos improvisavam um retorno pela pista do BRT, sem serem incomodados.
Trabalhando em um ponto de venda de lanches no local, o autônomo Janair Marcelo, 34 anos, por vezes se vê obrigado a alertar as pessoas. “Quando eu vejo que estão querendo atravessar com o sinal aberto para os carros, eu aviso do risco, grito quando está se aproximando o ônibus do BRT”, conta. “A gente vê que tem alguns agentes (agentes de trânsito) de colete, mas eles estão onde tem menos gente atravessando”.
Desde que a primeira fase experimental do ônibus articulado foi iniciada, Janair conta que já presenciou por mais de uma vez situações de perigo envolvendo pedestres. “Já aconteceu de um ônibus do BRT ter que frear já em cima de uma senhora que estava com uma criança. As pessoas são imprudentes.”
SEMOB
A Prefeitura de Belém, por meio da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), informa que as vias que compõe o trajeto dos ônibus do BRT estão devidamente sinalizadas quanto aos riscos de se transitar pela via expressa.
A Semob garante que mantém agentes de trânsito e apoiadores operacionais ao longo de toda a extensão das avenidas Augusto Montenegro e Almirante Barroso para fiscalização e orientação dos condutores, ciclistas e pedestres. Para o órgão, “quem insiste em trafegar pela pista expressa do BRT tem plena consciência de que está colocando a sua própria vida e a de terceiros em risco”.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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