Mulheres de todo o Brasil organizam manifestações para o próximo domingo (10), contra o Projeto de Lei da Prematuridade, que libera a cirurgia cesariana a partir de 37 semanas de gravidez a pedido da mãe. Nessa idade gestacional, o bebê ainda é considerado prematuro. Em Belém, um ato será realizado às 9h, na Praça da República, ao lado do Teatro do Paz.
De autoria do deputado federal Victório Galli (PSC-MT), o PL nº5687, diz defender a autonomia da mulher para liberar cirurgias cesarianas a partir da 37ª semana de gestação. No entanto, o PL contraria a Resolução 2.144/2016 do Conselho Federal de Medicina que determina a realização do procedimento, eletivamente, após a gravidez alcançar as 39 semanas, pois é quando o bebê é considerado pronto para o nascimento.
Além de abordar a real autonomia da mulher na hora de escolher a via de nascimento de seu filho, no ato ainda será realizada uma roda de conversa com as participantes do grupo Ishtar Belém, com o tema: “Cesariana a pedido: autonomia ou coação?”. No espaço ainda haverá pintura de barriga para grávidas e bazar de mulheres empreendedoras.
PANORAMA – A Organização Mundial de Saúde recomenda um limite de 15% do total de nascimentos via cirurgia, no Brasil, no entanto, o índice é de 52%, segundo a Pesquisa Nascer no Brasil, publicada pela Fundação Fiocruz, em 2014. Contrariando esse índice, o estudo demonstrou que quase 70% das mulheres entrevistadas tinham o parto normal como primeira opção.
Segundo a pesquisa, cerca de 35% dos bebês no Brasil nascem prematuros, com idade gestacional entre 37 e 38 semanas, e aponta o alto índice de cesarianas agendadas (34,1%) antes do trabalho de parto como parte da causa para a situação.
RISCOS - Bebês prematuros têm maior possibilidade de apresentar problemas respiratórios, como a síndrome do desconforto respiratório; dificuldades para manter a temperatura corporal e para se alimentar. Além disso, têm tendência a registrar altos níveis de bilirrubina, o que pode causar icterícia e, em casos severos, gerar danos cerebrais; assim como problemas de visão e audição. Já para a mulher que passa pela cesariana antes do trabalho de parto, há os riscos de: morte, histerectomia, trombose venosa profunda, choque cardiogênico e maior tempo de internação hospitalar.
(DOL)
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