Uma das principais ações desenvolvidas pela Cruz Vermelha do Pará, a Operação Verão não foi realizada por falta de recursos financeiros. De acordo com o voluntário Carlos Moraes, no ano passado o trabalho envolveu 85 voluntários espalhados por rodovias e balneários mais frequentados e ajudou a reduzir em 500% os acidentes mais comuns nesse período.
As dificuldades que abalam a entidade filantrópica, sustentada por convênios, atingem diversos setores. Carlos, que é enfermeiro, já foi funcionário da Cruz Vermelha. Ele foi demitido este ano após 18 anos prestando serviço. Moraes afirma que as dívidas incluem o licenciamento vencido do transporte, as contas de energia elétrica e telefone. “A luz estava atrasada há 8 meses, mas os voluntários se reuniram, fizeram uma campanha e conseguiram pagar 5 meses. Mas a energia pode ser cortada a qualquer momento”, acrescenta.
O problema ameaça até a participação da entidade no Círio de Nazaré. “Não teremos condições de montar estrutura no Círio. Ano passado foram 21 postos, contamos com 6.500 voluntários e foram 1.200 atendimentos. Estamos preocupados”, diz. A Cruz Vermelha no Pará realiza outros trabalhos sociais, como o Coração Vermelho – que atende clinicamente moradores de rua -, o Lírio da Paz – com cursos e oficinas para jovens em conflitos com a lei – e atua em inúmeros eventos, prestando atendimento de primeiros socorros. No caso da Operação Verão, a Cruz Vermelha atuava há 24 anos em parceria com o Corpo de Bombeiros nos principais balneários, e com a Polícia Rodoviária Federal nas rodovias mais movimentadas, de forma preventiva.
No Pará, a Cruz Vermelha desenvolve diversas ações há 35 anos. Cadastra e capacita milhares de voluntários anualmente - atualmente são 5.600. O ex–funcionário conta que a entidade, por meio de convênios com empresários e governos, conseguia se sustentar. Mas devido à crise econômica do país, foi obrigada a suspender as atividades, por falta de patrocinadores. “O estatuto da Cruz Vermelha diz que deve oferecer o mínimo de auxílio, como transporte, alimentação e seguro. Mas tudo isso está atrasado”, dispara Moraes. “Continuo porque gosto mesmo. Mas é triste ver essa situação”.
Agora, quem permanece na entidade busca resgatar a solidariedade das pessoas, instituições públicas e empresariais. Por meio de contatos telefônicos, a reportagem tentou falar com a direção da filial da Cruz Vermelha no Pará, mas não foi atendida.
SERVIÇO
COMO AJUDAR?
Endereço: Passagem Nossa Senhora das Graças, Tv. Barão do Triunfo, 58, entre as avenidas Almirante Barroso e João Paulo II, bairro do Marco, em Belém.
Contatos: 9 9084-3752 / 9 8543-5050 (Carlos Moraes)
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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