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Hepatite ainda é um problema de saúde pública

A hepatite ainda é uma doença que assusta o País inteiro. E no Pará, também é motivo de preocupação. Os últimos dados tabulados pelo Ministério da Saúde mostram que a incidência no Estado, em 2015, é de 300 novos casos. Estima-se que existam 6 mil pessoas

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A hepatite ainda é uma doença que assusta o País inteiro. E no Pará, também é motivo de preocupação. Os últimos dados tabulados pelo Ministério da Saúde mostram que a incidência no Estado, em 2015, é de 300 novos casos. Estima-se que existam 6 mil pessoas registradas com a doença, fora as que não sabem que sofrem com o mal. Doença intimamente ligada ao saneamento básico, ainda deve demorar a ser erradicada, devido à precariedade do sistema público de esgotamento sanitário. Isso é mais grave ainda em uma região em que 3 cidades (Ananindeua, Santarém e Belém) estão entre as 10 do Brasil com os piores índices de saneamento básico, no ranking dos 100 maiores municípios.

Apenas 2% do total da população tem esgotamento sanitário adequado. Essa é a principal preocupação da médica infectologista e pediatra Isabel Lopes, 34 anos, que esteve em Belém recentemente, promovendo debates com médicos locais, sobre a vacinação contra a doença. Natural de Cuiabá, Mato Grosso, ela é gerente de uma empresa multinacional e falou com o DIÁRIO sobre os dados da hepatite, os cuidados com os pacientes e a importância da vacinação para evitar problemas futuros.

P: De que modo as hepatites afetam a vida do paraense hoje?
R: No Estado do Pará são encontrados cinco tipos de hepatites: A,B,C, D e E. As hepatites D e E são mais comuns na região Norte do Brasil, mas a que tem maior prevalência no País e a que concentra o maior número de casos é, sem dúvida, a hepatite A. Em segundo lugar vem a hepatite B. Precisamos fazer um controle importante da doença, já que nenhuma que atinge o fígado é totalmente benigna. Ou será potencialmente grave e de curta duração como o tipo A, ou crônica como a do tipo B. Esta, para piorar, se mantém assintomática no organismo durante muitos anos e se manifesta tardiamente na vida do indivíduo. Quando ele finalmente descobre a doença, já possui uma lesão hepática grave que pode causar inclusive um tumor hepático secundário.

P: Como ocorre a transmissão da doença?
R: Os tipos A e E são de transmissão oral-fecal. Ou seja, por meio da ingestão de alimentos ou água contaminada ou com fezes contaminadas pelo vírus. O contágio dos tipos B, C e D é por meio do contato sexual e por uso de material cortante, como alicates, tesouras, pinças contaminadas, além da transfusão de sangue. No Brasil, a contaminação pelo tipo A é a maior. Em média, há cerca de 6.300 casos de hepatite A registrados no ano de 2014, que foi o último ano em que o Ministério da Saúde fez o balanço de casos confirmados. As hepatites B e c podem ser percussoras de câncer hepático, se não tratadas corretamente.

P: A incidência da doença no Pará é alta?
R: No Pará, os casos de hepatite são mais comuns no sexo masculino, na sua maioria. Exceto no grupo etário de 5 a 9 anos, no qual o sexo feminino é o mais atingido. Hoje, o Programa Nacional de Vacinação disponibiliza, nos postos de saúde, a vacina contra a hepatite A. Essa diminuição da incidência é um reflexo do aumento da vacinação. A taxa de mortalidade vem caindo de 2010 para 2014. Era de 0,05 e está em 0,015 no Estado do Pará. E, apesar da queda, as taxas do Pará ainda eram maiores que a do Brasil. Há cerca de 300 novos casos por ano no Estado.

P: Podemos dizer que a hepatite ainda é um problema de saúde pública?
R: É um problema de saúde pública, sim. A maioria dos casos de hepatite A acomete as crianças e tem uma letalidade baixa nessa faixa de idade. Afasta a criança da escola por uns 2 meses, mas é muito raro a criança morrer por causa da doença. Por outro lado, a gravidade é maior em adultos e a chance de morte é alta, já que a hepatite pode evoluir para a forma fulminante, com comprometimento quase total do fígado, que para de funcionar. Nesse caso, a única forma de tratamento seria o transplante, o que não dá tempo de se fazer em razão da falência abrupta do órgão e pelas dificuldades de estrutura para o procedimento de doação no Brasil. As hepatites B e C são crônicas, mas há tempo de tratamento do paciente. Já o tipo A, quando vem da forma fulminante, não há chances para tratamento. É fatal.

P: A precária rede de tratamento de esgoto no Brasil favorece o contágio?
R: Sim. Quanto melhores forem as condições de saneamento básico, menores são as chances de contaminação por hepatite A. Nas áreas mais desenvolvidas das cidades, a contaminação é quase nula. A prevenção principal contra a hepatite é a ingestão de água filtrada e fervida, não ingerir alimentos de procedência desconhecida, sobretudo os crus; lavar as mãos com frequência e manter o calendário de vacinação em dia.

P: O sistema de saúde público do Brasil está preparado para combater e tratar a doença?
R: A primeira coisa que o Poder Público precisa fazer para erradicar a doença é melhorar a rede de saneamento e esgoto no País. Temos, também, de proteger o indivíduo, por meio de campanhas maciças de vacinação. Para a hepatite A, o Programa Nacional de Imunização (PNI) disponibiliza vacinas para crianças a partir de 15 meses até 2 anos, em dose única. A outra vacina é para a hepatite B, que está disponível gratuitamente nos postos para qualquer faixa etária e deve ser dada logo ao nascimento do bebê.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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