Na casa da aposentada Maria da Graça Leão, 65 anos, no conjunto Costa e Silva, em Belém, tem muita roupa suja para ser lavada. Sem água desde quinta-feira (14), ela não tem outra saída a não ser amontoar os tecidos.
“Até banho a gente tem de ir tomar na casa de parentes ou de vizinhos que têm poço artesiano”, disse. No sábado (16), ela teve de comprar 7 garrafões de água mineral para cozinhar, lavar a louça e beber.
O bairro do Souza, onde mora Maria, e mais 6 bairros da Região Metropolitana de Belém ficaram sem o abastecimento de água por causa de um problema, na quinta-feira (14), em duas das 4 bombas usadas na expansão do fornecimento da água da Estação Bolonha, segundo a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa).
A pane deixou moradores da Marambaia, Castanheira, Souza, Jaderlândia, Marco, Guajará, Paar e Cidade Nova sem água desde quinta-feira. Em alguns desses lugares, ainda não voltou.
Membro da Associação dos Moradores do Costa e Silva, Odair Lima ressaltou que falhas no fornecimento de água são comuns. Porém, que nos últimos meses o problema tem se repetido com maior frequência. “Aqui, é comum você ver pessoas caminhando, carregando baldes e garrafões de água”, reclamou.
MOSQUEIRO
Em Mosqueiro, no bairro do Maracajá, os moradores reclamam que a falta d’água da Cosanpa é um problema que os aflige há quase um mês. Quando chega, é fraca e suja. “Se dependesse da água da torneira morreríamos de sede e ficaríamos sujos porque sempre falta. Quando vem, é enferrujada”, disse Sebastiana Silva, 66, aposentada. Para beber, cozinhar e tomar banho, ela usa água mineral.
Outros moradores do Maracajá recorrem aos poços de vizinhos. “Quase todo dia eu venho com meus baldes encher aqui. Isso porque o dono dessa casa disponibilizou a torneira que puxa água do poço”, disse Jessé Alvarenga, 57, motorista.
Segundo moradores, eles já procuraram a Cosanpa, que garantiu que o problema seria solucionado, o que não ocorreu. “A Cosanpa disse que a falta d’água acontece porque um aparelho do abastecimento quebrou, mas que seria consertado. Mas, isso não aconteceu”, declarou Ludmila Rodrigues, 22, universitária.
A revolta é maior porque, mesmo sem água, a conta chegou nas casas dos moradores. “Isso é revoltante. Não temos água em nossas torneiras, mas a Cosanpa envia a conta. Se não tem água não deveríamos ser cobrados”, disse Mauro Corrêa, 46, carpinteiro.
RESPOSTA
A Cosanpa informa que técnicos avaliarão a situação do bairro do Maracujá. A Companhia também afirma que entrou em operação ontem a 3ª bomba da zona de expansão do Bolonha e que o abastecimento voltaria a uma parte da Marambaia e conjuntos Costa e Silva e Castanheira.
Porém, o DIÁRIO ligou, no final da tarde de ontem, para moradores do Costa e Silva e lá informaram que a água ainda não tinha voltado. Os conjuntos Gleba I e II e Mendara ainda ficarão desabastecidos, segundo a Cosanpa. A nota diz que a Cosanpa trabalha também para regularizar a situação da área afetada de Ananindeua.
(Denilson D´Almeida e Alexandre Nascimento / Diário do Pará)
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