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Insegurança toma conta da Arthur Bernardes

Era por volta das 16h da tarde, quando um comerciante, que preferiu não revelar o nome com medo de represálias, retornou às atividades após o almoço, no pequeno comércio de variedade, em plena Rodovia Arthur Bernardes, no bairro do Telégrafo, em Belém. Qu

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Era por volta das 16h da tarde, quando um comerciante, que preferiu não revelar o nome com medo de represálias, retornou às atividades após o almoço, no pequeno comércio de variedade, em plena Rodovia Arthur Bernardes, no bairro do Telégrafo, em Belém. Quando ele chegou à porta do estabelecimento, dois homens numa moto já o aguardavam.

O indivíduo da garupa desceu do veículo, entrou no comércio e anunciou o assalto. Dinheiro e celulares foram roubados. O assalto aconteceu há 8 meses. “Mas ontem (domingo), foram três assaltos durante o dia. As três vítimas eram mulheres”, conta o vendedor, de 33 anos. “Infelizmente aqui é assim. Todos os dias alguém é assaltado”.

A rodovia liga pelo menos seis bairros da capital: Telégrafo, Barreiro, Val de Cans, Pratinha I e II e Paracuri – no distrito de Icoaraci. E é nesse cenário populoso, que criminosos aproveitam para atacar. “É movimentado, mas a gente vive com medo. Não dá nem pra ficar na porta de casa, que a qualquer momento pode ser surpreendido”, diz Maria de Lourdes Pereira, moradora.

MORTE

Aos 47 anos, o mototaxista Neto - ele preferiu não revelar o primeiro nome - já presenciou vários crimes, inclusive a morte do irmão. “Ele chegava do trabalho, no início da noite, quando foi abordado na porta de casa. Os bandidos não se contentaram apenas em roubar”. Um dos trechos mais perigosos da rodovia é perto da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. “Às vezes, a gente vê o ônibus sendo assaltado. O máximo que podemos fazer é chamar a polícia. Mas quando os policiais chegam, os ladrões já fugiram”, diz Neto.

As terças-feiras, principalmente a primeira e última de todo mês, são as mais movimentadas, pois a igreja recebe cerca de 30 mil a 45 mil fiéis que participam das novenas realizadas durante todo o dia. E depois que saem da missa, não escapam dos ataques dos criminosos.

Fiéis são assaltados diante das câmeras

O padre Márcio Halmenschlager, da Paróquia Santuário, afirma que os moradores estão “sem o efetivo da Polícia Militar”, o que tem sido motivo de preocupação tendo em vista os milhares de visitantes que procuram a igreja. “Os bandidos se aproveitam e já ficam esperando as pessoas saírem para abordarem. A situação está complicada”, diz o religioso.

Nem mesmo a presença de uma câmera do Centro Integrado de Operações (Ciop), fixada em frente à igreja, consegue inibir a ação dos criminosos. Ainda segundo o padre, a presença e apoio da polícia já teria sido cobrada pela igreja, por meio de ofício a PM, mas até o momento nada foi feito. “As pessoas vêm buscar bênçãos, segurança, mas do lado de fora, acontece isso (os assaltos)”, lamenta.

Devido à insegurança, o padre já considera a possibilidade de abrir os portões da igreja mais cedo - por volta das 4h, quando os fiéis começam a chegar para a primeira novena, de 5h30 - para tentar evitar que as pessoas se tornem alvos fáceis dos criminosos.

A reportagem procurou esclarecimento da Polícia Militar sobre a insegurança na rodovia, mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

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