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Perigo é uma constante na rodovia Arthur Bernardes

À medida em que as cidades crescem, regiões industriais passam a ganhar como vizinhos, invasões, condomínios e dezenas de outras moradias em meio à movimentada rotina das fábricas. Uma das principais vias de acesso ao distrito de Icoaraci, a Rodovia Arth

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À medida em que as cidades crescem, regiões industriais passam a ganhar como vizinhos, invasões, condomínios e dezenas de outras moradias em meio à movimentada rotina das fábricas.

Uma das principais vias de acesso ao distrito de Icoaraci, a Rodovia Arthur Bernardes atravessa perímetros que passam pela Base Naval ao Aeroporto Internacional, em Belém, cruzada por rios, feiras, canais e por diversas empresas instaladas às margens da Baía do Guajará.

No início da via, ao lado esquerdo de quem vem da avenida Pedro Álvares Cabral, quem dá as boas-vindas é uma imponente estância, que abre a sequência de empresas de diversos segmentos.

A autônoma Tatiana Tavares, 32, mora há 20 anos na Passagem Conceição, próximo à Igreja do Perpétuo Socorro, no Bairro do Telégrafo. Ela conta sobre os perigos de viver ali. “Além dos acidentes com as fábricas, temos medo do trânsito, da insegurança e da falta de urbanização em geral”, declarou Tatiana.

Quem segue pela via, percebe que a falta de organização não tem limites. Casas de madeira ficam lado a lado de grandes indústrias que usam produtos de fácil combustão. Há, também, barcos e casas abandonados, além de área de mata, que viram esconderijos de criminosos.

Próximo às fábricas de beneficiamento de pescado, há um lixão a céu aberto, atraindo dezenas de urubus em uma rota de aviões que pousam e decolam a todo momento.

PERIGO

Seguindo na rodovia, antes da rotatória da Júlio Cesar, é possível ver várias empresas de combustível próximas, por exemplo, do Centro de Fisioterapia e Reabilitação Sarah e de conjuntos habitacionais, já no Bairro do Val-de-Cans. Logo à frente, começa a Base da Aeronáutica, onde a via fica estreita, o que dificulta o trânsito. A partir da Base, no Bairro da Pratinha, algumas casas não acompanharam o nível da rua.

Na principal feira do bairro, o trânsito fica lento durante o dia. “Aqui é sempre essa bagunça. O trânsito é insuportável e fica pior com os caminhões”, contou a vendedora Albana Trindade, 55.

Com a presença das indústrias, o entra e sai de caminhões deixa tudo lento. Roseane de Melo, 20, trabalha e mora ao lado do Canal do Mata Fome, em uma casa de madeira. “Quando chove, vai tudo para o fundo. É horrível”, disse.

EM NÚMEROS

- Apenas este ano, 6 pessoas morreram por causa de acidentes ocorridos nas indústrias da região.

- No final de junho passado, houve um acidente entre uma caminhonete e um carro fúnebre. Dois caixões foram arremessados: um com um corpo e o outro vazio.

RISCOS NA ÁREA

Sentado à porta de sua casa, quase ao lado da Ponte do Livramento, já na altura do Bairro do Paracuri III, o aposentado Ariolito Peniche, 73, fala dos problemas enfrentados por ele na rodovia. Há 15 anos, ele mora na Arthur Bernardes, quase à frente de uma indústria náutica. Ele inala diariamente o pó que se espalha quando estão pintando a lataria das embarcações. “A rua fica branca. Não consigo nem respirar direito. E nem adianta reclamar com eles”, lamentou.

Luana Santos, de 21 anos, que mora na passagem Santa Rosa, também no Paracuri III, relata os problemas respiratórios de sua família. “A fumaça dessa empresa é terrível. Toda tarde sobe esse pó. Tossimos bastante. Meus pais querem até se mudar”, detalhou. A reportagem do DIÁRIO foi à fábrica denunciada, mas não foi recebida por ninguém da empresa.

Benedita Baia, de 67 anos, mora ao lado de uma estância, na passagem Aleluia. Ela diz que teme que as fábricas peguem fogo ou haja uma explosão, como na caldeira de beneficiamento de castanha, da empresa Paratini, em junho último. “Estamos cercados de indústrias que lidam com gás, combustível e fogo”, teme.

SEGURANÇA

Para o técnico de segurança do trabalho Zozimar Oliveira Silva, que há 20 anos trabalha na área, o maior risco na região são as casas agrupadas próximas às empresas.

“Há 40 anos, não víamos tantas residências na região. Como estão ao lado das fábricas, há mais chance dos acidentes serem de maior proporção”, avaliou.

Outro problema visto pelo especialista é a poluição dos rios às margens das empresas, além da falta de profissionalização dos funcionários das indústrias.


Além da destruição da empresa, carros e imóveis próximos foram atingidos. (Foto: Ney Marcondes)

ACIDENTES

No dia 10 de junho, uma caldeira explodiu em uma fábrica de beneficiamento de Castanhas. O acidente resultou em 4 mortos e 10 feridos. Na hora do acidente, cerca de 100 pessoas estavam na Fábrica Paratini. Além da destruição da empresa, carros e imóveis próximos foram atingidos.

Na tarde do dia 19 de março, a explosão de uma embarcação da Orvam provocou a morte de dois funcionários. Um das vítimas foi arremessada na direção da Baía do Guajará.

O grupamento marítimo dos Bombeiros fez buscas na área e localizou o corpo.

(Roberta Paraense / Diário do Pará)

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