Philip Martin Fearnside fez duras críticas à hidrelétrica. (Foto: Divulgação)
Vencedor do prêmio Nobel da Paz em 2007, o cientista Philip Martin Fearnside lançou, na última quinta-feira (21), durante evento em Santarém, um alerta sobre o avanço da instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Segundo ele, o início da operação da usina trará danos irreversíveis às populações vizinhas e também cobrará uma conta cara do governo e dos contribuintes brasileiros. “Belo Monte é algo totalmente antieconômico. O Rio Xingu é um dos rios que tem maior variação de volume de água ao longo do ano”, comentou Fearnside durante o I Workshop do Grupo Técnico da Bacia Tapajós (GT Tapajós). A iniciativa é do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para discutir os impactos de grandes projetos na região oeste do Pará.
ÁGUA
Segundo ele, são quase 3 meses do ano sem água suficiente para ligar uma turbina da usina. “É muito difícil justificar 11 megawatts de turbinas paradas durante meses e esperar que a coisa seja econômica”, afirmou. O cientista é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. A usina passou por um polêmico processo de licenciamento ambiental, marcado por indícios de fragilidade dos estudos ambientais e falhas nos processos de avaliação e concessão de licenças.
As etapas foram alvo de questionamentos por parte do Ministério Público Federal, MPPA e movimentos sociais. “A maior prejudicada é a população que vive lá, que perde o seu sustento e a sua moradia”, disse Fearnside em relação às populações tradicionais de Altamira, onde a usina está instalada.
(Diário do Pará)
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