Consumir o tradicional feijão com arroz está ficando cada vez mais caro. Nos últimos 7 meses, o preço do feijão carioquinha foi reajustado em 124%, custando, em média, R$ 9,99 no mês passado. Enquanto isso, o preço do arroz tipo 2 teve aumento de 13,45%, no mesmo período. Em julho, o preço médio do produto foi de R$ 2,70. Os dados são da pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA).
Os reajustes ficaram acima da inflação, que subiu 5,76% nos 7 primeiros meses de 2016. Com os preços em alta, o policial civil Afonso Pantoja, 47 anos, afirma que não costuma comprar o feijão e o arroz. “Um dia o preço está de um jeito. No outro, já está diferente. Em cada supermercado é um valor. Então, às vezes, a gente substitui por farinha e macarrão”, disse. Na casa da pedagoga Angélica Wanderley, 61, a sua família optou por consumir um tipo de feijão mais barato. “Na minha casa, o preferido é o carioquinha. Mas, agora, temos de comprar o feijão preto, que é mais barato”, relatou.
PREÇOS
Outras adaptações foram feitas para não deixar o arroz e o feijão fora do prato, como passar a fazer compras mensais em atacado e comparar os preços dos produtos. “Acho que a gente tem de contornar os preços altos”, declarou. Já a aposentada Mirdes Oliveira, 80, decidiu colocar mais água no feijão para fazer o produto render. “Está tudo muito caro. Então, a gente não faz mais o feijão grosso. Agora, é com mais caldo, para render mais”, contou.
Segundo o Dieese/PA, as causas dos reajustes incluem a importação dos alimentos de outros Estados do País e os fatores relacionados à temporada de cada alimento. Apesar do cenário desfavorável, algumas pessoas estão otimistas e acreditam que os preços vão baixar.
É o caso da dona de casa Rosa Maria, 83. Ela diz que já viu o Brasil passar por muitas situações difíceis e acredita que a economia vai se recuperar. “Isso é por causa das circunstâncias do Brasil. Eu acredito que não vamos ficar assim”. A tendência para este mês ainda é de alta nos preços dos 2 produtos. É o que apontam pesquisas do Dieese/PA feitas nos primeiros 10 dias de agosto.
(Alice Martins/Diário do Pará)
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