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Saiba quem é o terrorista que pode estar no Norte

A notícia de que um marroquino com possíveis ligações com grupos radicais islâmicos estaria no Brasil deixou em alerta diversas autoridades nacionais. Identificado como Rachid Rafaa, 40 anos, ele sumiu no dia 26 de julho da Martinica, ilha francesa no Car

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A notícia de que um marroquino com possíveis ligações com grupos radicais islâmicos estaria no Brasil deixou em alerta diversas autoridades nacionais. Identificado como Rachid Rafaa, 40 anos, ele sumiu no dia 26 de julho da Martinica, ilha francesa no Caribe, onde cumpria prisão domiciliar.

O clima de tensão cresceu após a informação de que um estrangeiro com as mesmas características de Rachid foi detido no navio Ana Beatriz, no estado do Amapá, com destino a Bélem. No entanto, a Polícia Federal e a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amapá negam que o detido seja Rafaa. As autoridades afirmam que o homem é apenas um imigrante sírio, com documentos atrasados.

QUEM É RACHID RAFAA?

O homem de 40 anos é técnico em Tecnologias da Informação (TI) e é suspeito de ter ligações com grupos extremistas como Al Qaeda e o Estado Islâmico. Ele foi detido na França no ano de 2009 e é acusado pela Justiça do Marrocos de formação de quadrilha para a realização de atentados terroristas

O Marrocos solicitou a extradição de Rachid, no entanto o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos proibiu, em 2013, que ele fosse extraditado, já que a defesa de Rafaa alega que ele seria apenas um perseguido político por defender as causas do povo Saharauí.

OUTRO LADO

Segundo o advogado de Rafaa, identificado apenas como Nancy, ele foi preso, detido e torturado pelos serviços secretos marroquinos por aproximadamente 20 dias no início de 2009. As informações foram publicadas no site francês “Outre-mer 1ère”.

De acordo com o portal francês, ele foi libertado pelo governo marroquino com a condição que cooperaria, fornecendo informações do movimento Saharauí. No entanto, assim que teve chance, Rachid fugiu para a França.

Ainda de acordo com o advogado de Rachid, há um temor, da família do procurado, que ele tenha sido capturado por agentes do governo marroquino.

ÁREA DE CONFLITOS

A causa supostamente defendida por Rafaa já foi anteriormente debatida nos solos brasileiros. Em abril de 2015, o governo do Brasil - em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara – não reconheceu a República Árabe Saharauí Democrática, que habita a do Sahara Ocidental, na África, é disputada pelo povo Saharauí, que habita a região, e pelo Marrocos há cerca de 40 anos.

De acordo com informações do site da Câmara dos Deputados, em matéria pública à época, a região foi colônia espanhola a partir de 1884, mas a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu, em 1960, o direito do povo Saharauí à autodeterminação e independência.

A ONU recomendou à Espanha a desocupação do território; mas, contrariando a decisão, a Espanha cedeu, em 1975, a região Saharaui ao Marrocos, que invadiu a região e a ocupou militarmente. Resoluções das Nações Unidas repudiaram essa situação, mas a maior parte do território permanece ocupada pelo Marrocos.

Mohamed Laarosi Bahia, um representante do povo Saharauí, afirma que, 23 anos depois da decisão das Nações Unidas pela realização do referendo, o Marrocos continua se negando a realizá-lo e a promover uma solução democrática para o conflito. Para ele, a comunidade internacional não dá a devida importância à questão.

MEDO DO TERROR

Com os reais motivos da detenção de Rafaa ainda desconhecidos, o governo francês e agora também o governo brasileiro estão alertas à possível fuga dele. Segundo informações do site O Globo, Rachid foi visto pela última vez em Saint Georges, uma pequena cidade da Guiana Francesa, separada por apenas um rio do município de Oiapoque, no Amapá.

O procurado também usaria nomes como Said Kacini, Bruno Petit e Richard Burel. Há informações, inclusive, de que ele fazia contatos com uma mulher de 41 anos, moradora de São Paulo.

O caso é acompanhado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e pela Interpol.

(DOL com informações da Câmara dos Deputados, do Globo e do Outre-mer 1ère)

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