Com uma programação vasta, de quase 3,5 horas de duração, a abertura do 17º Congresso Eucarístico Nacional (CEN 2016), realizado na noite de ontem, no Estádio do Mangueirão, em Belém, levou emoção a cerca de 25 mil pessoas, segundo a coordenação do evento.
O primeiro impacto foi a entrada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré ao estádio. Após atravessar a lateral do gramado abençoando os católicos, a pequena imagem foi colocada no altar, permanecendo até o fim da programação.
Os pobres, excluídos e marginalizados da Amazônia foram os principais destaques da mensagem do papa Francisco, durante a cerimônia de abertura. O texto foi lido por quase uma hora pelo representante do pontífice, cardeal Cláudio Hummes.
Na mensagem, Francisco pediu para que a Igreja Católica brasileira seja mais firme e atuante na defesa de excluídos e de povos tradicionais, como os indígenas.
“Repartir o pão com os excluídos é compartilhar esse mesmo pão com Cristo”, destacou. O texto destacou, ainda, que a Amazônia é o principal desafio missionário da Igreja Católica.
“Devemos renovar nossa consciência com essa região tão sofrida”, disse Cláudio Hummes, em nome do papa. A leitura da mensagem de Francisco foi interrompida por diversas vezes pelos aplausos do público presente no estádio.
Hummes lembrou a necessidade de a Igreja Católica adotar novos valores, métodos e expressões para conseguir ser mais missionária, de agora em diante.
“É preciso impulsar a evangelização missionária, ter mais pastorais misericordiosas para acompanhar as famílias e também ter uma catequese renovada e mais presente nas comunidades”, concluiu.
Veja em imagens a abertura do 17º Congresso Eucarístico
EMOÇÃO
Após a missa, outro momento de grande expectativa foi a adoração do Santíssimo Sacramento, considerado o momento de evangelização mais importante da abertura. O ritual começou com a entrada, em um carro aberto, do Ostensório. Com 1,60m e feito em latão e bronze, a peça foi criada especialmente para a utilização no Congresso Eucarítico.
Esta é a segunda vez que a capital paraense recebe o evento, um presente pelo aniversário de 400 anos de fundação da cidade. A primeira vez foi em 1953.
A aposentada Eliana Almeida, 66, mora em Belém e participa pela primeira vez do evento. “Meu irmão é padre e vim pedir para que a sua espiritualidade sempre se renove”, disse ela.
Já a professora Hilda Pereira, 54, veio de Manaus, na companhia de mais 3 amigas. “Vim para ter minha fé ainda mais fortalecida e batalhar para que o mundo tenha mais paz e amor”, comentou.
Da arquibancada, uma multidão de fiéis acendeu velas, proporcionando um espetáculo à parte. O congresso vai até o dia 21 de agosto com missas, procissões e jornadas pastorais.
Público vaia Zenaldo e Jatene

| Simão Jatene deixou o Mangueirão discretamente. (Foto: Celso Rodrigues) |
O prefeito de Belém Zenaldo Coutinho e o governador do Pará, Simão Jatene, passaram por um momento de constrangimento, durante a abertura do Congresso Eucarístico Nacional. Diante de autoridades civis e eclesiais e de um estádio Mangueirão lotado, as duas autoridades foram vaiadas pelos católicos presentes.
As vaias aconteceram no início da programação, quando o cerimonial anunciou a presença do prefeito e do governador. Apesar de constrangedora, a situação foi ignorada pelos bispos e arcebispo metropolitano da capital, Dom Alberto Taveira, que continuaram a cerimônia religiosa sem fazer qualquer menção ao fato.
Simão Jatene optou por fazer um breve discurso e, junto com Zenaldo, deixou a cerimônia de forma discreta, evitando chamar a atenção do público presente.
(Leidemar Oliveira / Diário do Pará)
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