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Moradores do 40 Horas exigem mais segurança

A indignação da comunidade por causa da falta de segurança não foi capaz de silenciar a dor e quem perdeu mais um vizinho, amigo ou parente para a violência que toma conta do bairro do 40 Horas, em Ananindeua. Anteontem (15), durante o velório do comercia

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A indignação da comunidade por causa da falta de segurança não foi capaz de silenciar a dor e quem perdeu mais um vizinho, amigo ou parente para a violência que toma conta do bairro do 40 Horas, em Ananindeua. Anteontem (15), durante o velório do comerciante Raimundo Brandão dos Santos, 58 anos - morto durante uma tentativa de assalto, no último domingo (14) - os moradores não hesitaram em reclamar que são obrigados a morar e trabalhar atrás de grades e cadeados. Todos exigem mais segurança das autoridades competentes e temem entrar para as estatísticas de assaltos e até assassinatos.

O velório de Raimundo ocorreu num centro comunitário próximo a seu estabelecimento comercial. Familiares permitiram a presença da imprensa, mas tiveram a identidade preservada porque estão com medo, pois nenhum dos suspeitos de tentar roubar e matar homem foi preso.

“O que a gente sabe é que os acusados sondavam o bar e achavam que ele (Raimundo) guardava altas quantias em dinheiro”, comentou um dos filhos da vítima. O crime aconteceu na noite domingo (14), quando 9 pessoas foram assassinadas na Região Metropolitana de Belém.

De acordo com o relato de testemunhas, o comerciante foi rendido por 5 assaltantes armados, que ainda chegaram a fazer um dos filhos deles de refém, para assaltar. Como não encontraram dinheiro na casa da vítima e nem no comércio, atiraram contra ele.

“Eu quero ver quem vai nos dar segurança e tranquilidade para viver aqui”, questionava a empregada doméstica Maria dos Anjos Carmo, 55, que mora no 40 horas há 20 anos. Ela disse que a morte de Raimundo mexeu com a comunidade.

“Todo mundo aqui conhecia ele. Era um homem que não mexia com ninguém, um trabalhador que pagava seus impostos”, pontuou.

Os comerciantes do bairro do 40 Horas acabaram virando prisioneiros da insegurança. Vivem por trás de grades e cadeados (Foto: Jader Paes)

GRADES

Nas ruas ao redor onde o crime aconteceu, logo na entrada do bairro, os comerciantes trabalham com as grades fechadas. “O meu estabelecimento foi assaltado duas vezes este ano. Hoje trabalho assim: trancada. Os meus clientes, se quiserem comprar, tenho que atendê-los pelas grades. Isso não é justo com a gente”, lamentou a comerciante. “Nós vivemos a base do medo”, frisou.

A mulher confirma que a polícia faz rondas pela área, mas os crimes acontecem sempre no intervalo entre as passagens das viaturas da PM. Em frente ao estabelecimento, que fica na Estrada do 40 horas próximo a rotatória, funciona uma parada de ônibus, na qual os passageiros também confirmam que os assaltos são constantes na área. Quando a reportagem se aproxima e tenta conversar sobre a violência, os passageiros se afastam.

A Polícia Militar informou que o policiamento ostensivo e preventivo no bairro do 40 Horas é feito diuturnamente com rondas em viaturas, motos e a pé. O comando do 6º BPM, que garante a segurança da área, participa das reuniões contínuas com os moradores da região, ainda mantém contato direto com os mesmos através de grupos no WhatsApp onde são feitas denúncias e dadas orientações de segurança. Sobre a morte do seu Raimundo, a PM informou que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil e policiais militares continuam as buscas pelos assassinos.

(Denilson D’Almeida/Diário do Pará)

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