Moradora do Distrito de Mosqueiro, em Belém, Simone Nonato passou 4 anos indo e voltando todos os dias ao centro da capital para estudar na faculdade de pedagogia, até se formar e, desta forma, seguir carreira na educação.
Depois de muita batalha, conseguiu, ainda, outra realização: ser aprovada no concurso público da Prefeitura de Ananindeua. Contudo, 4 anos após ser aprovada, continua sem ser nomeada pelo prefeito Manoel Pioneiro (PSDB).
Ela foi uma das pessoas que estiveram presentes em um protesto organizado pela Associação dos Concursados do Pará (Asconpa), na manhã de ontem, em frente à Prefeitura de Ananindeua. A manifestação teve como objetivo pressionar o prefeito a cumprir a determinação judicial que o obriga a convocar os aprovados dos editais 001/2012 e 001/2015. A decisão foi tomada pela juíza Valdeíze Maria Reis Bastos, da Varada Fazenda de Ananindeua, no dia 10 de agosto.
Somando os dois concursos públicos, são 911 pessoas que devem ser convocadas em caráter de urgência, para os cargos de professores, técnicos, administrativos e auditores fiscais. Simone, de 29 anos, conseguiu a vaga de técnica escolar no edital 001/2012, quando ainda terminava a graduação. Segundo a pedagoga, foi preciso passar um ano inteiro estudando para conseguir passar.
“Você cumpre seu papel, estuda, enfrenta uma difícil concorrência e depois só resta frustração”, desabafa. O período de espera foi tão longo que Simone já conseguiu fazer e concluir um mestrado na área, mas nada da aprovação ser formalizada. “Agora atuo em uma instituição privada, mas apenas com um contrato, sem nenhuma garantia das leis de trabalho”, diz.
OUTRO CASO
Nascida e criada em Ananindeua, a também pedagoga Neide Fonseca, 39 anos, sentiu na pele as dificuldades da educação pública na cidade. Sem formação superior e depois de muitos anos trabalhando como comerciante, ela decidiu que queria algo mais: melhorar o ensino do município. Foi por isso que escolheu a pedagogia, já aos 35 anos, e lutou até o fim para conseguir o diploma.
No ano passado, ao fim da graduação, resolveu buscar a aprovação em concurso público.“Como estava concluindo o curso, as noites eram viradas para dar conta de tudo”, lembra. Depois do esforço, veio o resultado. Ela foi aprovada no edital 001/2015 da Prefeitura de Ananindeua, para o cargo de professora do ensino fundamental, mas também não foi chamada. “Agora, estou desempregada e vivo de um subemprego, dando aula dereforço em casa para quebrar um galho”, lamenta.
No ato, Neide pedia a atenção da população eque os moradores de Ananindeua se unissem para reforçar a luta. “São seus filhos que estão nessas escolas públicas, vocês são cidadãos, fiscalizem! Isso não é certo e a população de Ananindeua precisa saber disso, para entender como a educação pública está sendo tratada”, exclamava.
Associação promete aumentar pressão
De acordo como presidente da Asconpa, José Emílio Almeida, protesto de ontem faz parte de uma luta de 4 anos e a intenção agora é ampliar a manifestação, tornando-a semanal e levando, inclusive, a Belém. “A Associação vai montar uma tenda na Prefeitura de Ananindeua, toda terça-feira, e também faremos o mesmo em Belém, em outro dia da semana, porque o que o Pioneiro faz aqui, o Zenaldo (Coutinho, prefeito de Belém) faz lá”, diz.
OUTRO LADO
A Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua (Semed) informa que, até julho, realizou a chamada dos aprovados de 2015 e que neste semestre estudará as próximas nomeações. A Semed ressalta que, até ontem, ainda não foi notificada pela Justiça sobre a nomeação dos aprovados em concursos públicos promovidos pela Prefeitura e, quando for notificada, dará esclarecimentos.
(Alice Martins Moraes/Diário do Pará)
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