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Mercadinhos driblam a crise

Você já imaginou comprar R$0,50 de açúcar, sabão em pó ou óleo de soja? Não? Pois acredite, em 2016, essa prática ainda é possível em Belém. Desempregado, no ano passado Elcio Silva resolveu investir em um pequeno mercadinho, na Travessa Barão de Mamoré,

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Você já imaginou comprar R$0,50 de açúcar, sabão em pó ou óleo de soja? Não? Pois acredite, em 2016, essa prática ainda é possível em Belém. Desempregado, no ano passado Elcio Silva resolveu investir em um pequeno mercadinho, na Travessa Barão de Mamoré, no bairro do Guamá. O empreendimento deu tão certo, que mesmo em recessão econômica, ele acredita estar vivendo um confortável momento financeiro.

“Aqui tem pacotes de arroz, feijão, copinho de margarina. As pessoas que não têm dinheiro compram o necessário para aquele momento”, explica, acrescentando que é necessário usar a criatividade para manter seus clientes. Aos 58 anos, o comerciante fala da fórmula de sucesso. “Um precisa do outro. Eu do cliente e ele de mim”, diz. Elcio também aposta nas velhas práticas do fiado e da barganha. “Negociamos e eles pagam, pois vão precisar novamente. É um dinheiro certo, que pago minhas contas também”, finaliza.

Praticidade

A comodidade por estar perto de casa e o relacionamento amigável de vizinhos são alguns dos motivos que a aposentada Antônia Ribeiro, de 74, lista para ser cliente há 16 anos da taberna de Célia Heleno, 40, na avenida Cipriano Santos, no bairro da Terra Firme. As compras vão para o caderninho de fiado. “Ela nos trata com carinho. Estou perto de casa e minha filha paga no final do mês”, comenta. O local abre até dia de domingo.

“Vendemos fiado, mas não adianta bater quando estiver fechado”, brinca Célia Heleno.

Fiado só amanhã

Já no estabelecimento da família de Maria José, 55, na Travessa Francisco Monteiro, no Bairro de Canudos, ‘fiado só amanhã’. “Para não perder o amigo e o cliente, não tenho caderninho. O pagamento deve ser à vista”, explica a comerciante. Mesmo assim, o aposentado Valneci dos Santos, de 59 anos, não deixa de ir ao local. “Aqui tem cigarro e uma cerveja bem gelada. Em outros locais não têm”, compara.

Antônio abre aos domingos (Foto: Marcos Santos)

Preço bom e horário diferenciado

Se depender do exemplo do comerciante Antônio Carlos Sobrinho, de 54 anos, dá para entender que os mercadinhos de bairro resistem ao tempo e aos grandes supermercados com esforço e criatividade. Não há domingo e nem feriado que impeçam a família de Antônio de trabalhar no próprio mercadinho, na Travessa Barão do Triunfo, no bairro da Pedreira. Para ele, o atendimento quase contínuo é o seu diferencial para se manter há 20 anos no ramo, mesmo cercado de supermercados na Avenida Pedro Miranda, bem pertinho do negócio. “Atendemos até 22h, todos os dias, e vendendo com preço mais barato”, faz propaganda. No local, é possível encontrar desde itens de perfumaria, até louças. Mas, o carro-chefe é a alimentação. “As pessoas têm comprado mais comida”, avalia, em um reflexão sobre a crise atual.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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