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Escalpelamento é tema de encontro na Fundacentro

A perda do cabelo (escalpelamento) e até de membros do corpo em acidentes com embarcações ainda é muito preocupante no Pará. Desde o inicio deste ano, quatro acidentes desse tipo já foram registrados no Estado. Em geral, são dez ocorrências ao ano, segund

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A perda do cabelo (escalpelamento) e até de membros do corpo em acidentes com embarcações ainda é muito preocupante no Pará. Desde o inicio deste ano, quatro acidentes desse tipo já foram registrados no Estado. Em geral, são dez ocorrências ao ano, segundo levantamento da Comissão Estadual de Enfrentamento aos Acidentes de Escalpelamento (Ceeae).

Para discutir o tema, foi montada uma programação na Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em Belém. Uma das maiores fragilidades para o combate a esse tipo de acidente nas regiões ribeirinhas ainda está no controle do número de embarcações que navegam sem a coifa, uma espécie de proteção ao motor.

Segundo o engenheiro de segurança do Trabalho da Fundacentro, Helio Vitor, os barcos da região não usam motor náutico, mas motores adaptados. Essa adaptação é que prejudica a segurança da navegação. “O maior desafio, contudo, é convencer navegadores a cobrirem o eixo, que é simples e de graça, sem custos para o dono da embarcação”, diz.

Em sete anos, desde que foi instituído o Dia Nacional de combate ao Escalpelamento, comemorado no próximo domingo, 28, essa ainda é uma realidade muito comum e dura de ser vivida no Marajó. “As rabetas são predominantes nas ilhas e os acidentes acontecem com muita frequência nessa região. Se em uma família existem nove pessoas, cada uma tem uma rabeta”, estima a integrante da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó, Enilda Lobato.

Enilda conta que recentemente ocorreu um acidente em Anajás envolvendo uma rabeta. “O homem a bordo estava embriagado e caiu na água. Quando a hélice do motor pegou nele, lacerou uma parte de seu rosto”, descreve. Quando ocorre um acidente nessas regiões, os moradores locais enfrentam dificuldades tanto na distância até Belém, quanto na falta de comunicação entre eles e as secretarias de educação e de assistência social, segundo relata Enilda.

FALTA CAPACITAÇÃO

Outro ponto criticado é a falta de capacitação de pessoal local. “Como ocorrem muitas contratações de temporários, especialmente nesse período de eleições, nem sempre quem faz os primeiros atendimentos a escalpelados tem conhecimento sobre como agir nesses casos. É uma grande preocupação que eles sejam efetivos”, ressalta Enilda Lobato.

Desde quando foi feito o primeiro registro, em 1979, até este mês, 419 acidentes já ocorreram segundo levantamento da Ceeae. Cerca de 58 mulheres já perderam as orelhas, também segundo a entidade. Para proteger o motor, basta acionar a Capitania dos Portos pelo telefone. A instalação é gratuita e é feita pelos agentes da Capitania.

(Wal Sarges/Diário do Pará)

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