Um dos principais cartões-postais da cidade, o Ver-o-Peso vem sofrendo com a falta d’água. O problema é maior no Mercado de Peixe, onde os feirantes estão há cerca de seis meses com as torneiras secas. “Trabalho há dez anos aqui. Isso nunca tinha acontecido. Tem dificultado muito nosso trabalho”, diz o vendedor Matias de Jesus, 27 anos.
Segundo ele, uma comissão do mercado vai à Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) frequentemente para cobrar uma solução. O órgão até envia equipes para o local, mas nada é resolvido. “Eles só chegam, cavam tudo, mas não mudam nada. Fica só na promessa”, afirma o colega de Matias, Matheus de Deus, 30, que vende peixe no espaço há cinco anos.
GAMBIARRA
Segundo os comerciantes do Ver-o-Peso, cada um se vira como pode, pegando água na torneira mais próxima, que fica fora do mercado, enchendo baldes e torcendo para que a quantidade dure até o fim do expediente. Para os funcionários da limpeza, o problema chega a ser ainda maior. Por isso, eles apelam para soluções criativas, como um funil feito de cesto de farinha, colocado em hidrantes próximos para coletar a água.
Quando a água vem, escorre para contêineres de plástico, onde fica armazenada. “O trabalho é dobrado, né? Quando tem, a gente pega água no hidratante que fica na entrada do mercado, mas não é sempre que dá. Aí, a gente tem que pegar da maré mesmo, com uma bomba que jogamos na água e puxamos”, relata Hewerton Souza, 33, trabalhador de serviços gerais do local.
Socorro Cardoso, 50, gerencia uma lanchonete na parte externa do Mercado de Peixe e conta que também é prejudicada. “A gente paga um rapaz para trazer água. Ele precisa ficar desde 3h30 da manhã pegando água de uma torneira aqui próximo”, diz.
COSANPA PROMETE MELHORIAS
Procurada pela reportagem, a Cosanpa informou que fez mais de dez escavações e iniciou o serviço de desobstrução de redes e troca de registros no local. Ontem seria finalizada uma injeção de água de um novo ponto da rede para normalizar o abastecimento.
(Alice Martins Moraes/Diário do Pará)
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