Ex-vereadora e ex-deputada estadual, Regina Barata aposta na militância e na história do Partido dos Trabalhadores (PT) para exorcizar as dificuldades que a sigla enfrenta em meio ao processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rouseff. Aos 55 anos, Regina vai enfrentar uma eleição municipal em carreira solo - ou seja, sem alianças. Mas diz estar preparada para o desafio. Sorteada para ser uma das primeiras entrevistadas na série que o DIÁRIO publica, a partir de hoje, com os candidatos à Prefeitura de Belém, a petista fala de alianças, doações de campanha, dos escândalos envolvendo o PT e reconhece: “Qual é o empresário que quer investir no PT hoje? Nenhum”.
P O PT vive um momento adverso, com denúncias de corrupção e o julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff. Apesar desse cenário, a senhora resolveu ser candidata. Por quê?
R O que me move é a esperança e a fé no que eu faço. Eu comecei no PT. Minha primeira candidatura à Câmara de Vereadores foi pelo Partido dos Trabalhadores e, naquele momento (1996), nunca tínhamos conseguido uma bancada com mais de 2 vereadores em Belém e acabamos elegendo 5. Portanto, era um desafio, do mesmo jeito que é hoje.
P A senhora acredita que, hoje, o partido ainda tem força para mobilizar os eleitores?
R Acredito que sim. Quando falo da crença na política, estou julgando tudo o que fui, o que vivi, o que faço. É obvio que o PT é um partido construído por homens e mulheres. E quem errou foram homens e mulheres que precisam ser punidos para que não contaminem a marca PT.
P A senhora vai disputar uma eleição em que o PT, sem alianças, sai sozinho, com dificuldades para conseguir doações. Nesse cenário, sua candidatura tem realmente alguma chance?
R O nosso programa vai ser a maior surpresa. Estamos resgatando a história do Partido dos Trabalhadores. E posso falar dos meus 20 anos de política no PT, sem marcas, sem rasuras. Os símbolos da minha campanha serão as minhas digitais, que eu estou colocando à disposição do povo de Belém, como defensora pública, com a experiência de quem tem dois mandatos de vereadora, dois mandatos de deputada estadual.
P A senhora candidata espera, então, mobilizar a militância do PT?
R Eu sou fruto da militância e foi ela que colocou que nós precisávamos voltar a ter candidatura própria. Eu sempre fui do PT, sou conhecida em todas as minhas ações políticas como filiada a esse partido. Eu sou a cara do PT.
P A sua candidatura não enfrentou resistências internas?
R Não. O PT sai com uma unidade partidária após 20 anos. E eu saio candidata no meu melhor momento. Eu estou uma mulher madura e tenho certeza do que quero para mim, para os meus filhos, para minha família e para todos aqueles que buscam uma vida melhor.
P O PT tentou fazer alianças com outras siglas?
R O PT buscou alianças, o que é natural, mas estas não foram possíveis. Os partidos de esquerda, em Belém, resolveram sair com suas candidaturas próprias, mas nós buscamos, sim, porque, em política, se fazem alianças. E é por conta de nossas alianças partidárias que fomos escrachados, juntamente com todos os nossos aliados. Fomos traídos por nossos aliados na política, mas alianças
fazem parte.
P Vocês tentaram aliança com o PSOL, por exemplo...
R A nossa conversa foi feita tanto com o PSOL quanto com o PCdoB e o PDT. Eu sei que cada um desses partidos tem as suas estratégias. Compreendo que neste momento cada um quer deixar o seu legado.
P O que a senhora considera como prioridade de um possível mandato?
R Imediatamente, nós temos de reconstruir relações com as pessoas. Nesses últimos 12 anos, o que percebemos foi uma prioridade para alguns investimentos que beneficiaram mais aos grupos empresariais. Eu acho isso muito ruim. Belém cresceu, mas o resultado disso para as pessoas está sendo terrível.
P E o BRT? Caso seja eleita, a senhora pretende concluir a obra?
R Claro. Eu não estou aqui para desfazer. Além do mais, a verba é nossa, o dinheiro é público. Os recursos vêm do Governo Federal, fruto dos tributos que nós pagamos. Não é justo que em 3 anos e 8 meses de governo, o atual prefeito (Zenaldo Coutinho-PSDB), não tenha concluído a obra.
P Que outros pontos a senhora priorizaria num possível mandato?
R Primeira coisa que é possível, e que todo gestor precisa fazer, é dar continuidade a obras como essa do BRT e a qualquer outra, porque o recurso não é do prefeito que saiu. É do povo. E recurso público tem de ser usado devidamente. Eu tenho certeza de que a minha experiência como dona de casa me faz ter uma visão do orçamento em termos de prioridades e necessidades. E não é o que tem acontecido com Belém.
P O que considera como seu ponto forte para convencer os eleitores a votarem na senhora?
R Eu não vou dizer que vou fazer coisas mirabolantes. Vou falar de coisas práticas. Já temos recursos para área da educação, da saúde. O desafio é fazer uma boa gestão e fazer com que os serviços funcionem. Não existe milagre. Outro ponto é que pretendo valorizar os servidores públicos deste município, que estão sendo vilipendiados.
P De onde virão os recursos para fazer a sua campanha eleitoral em Belém?
R Se eu te mostrar nossa conta de campanha... Ainda estamos a zero. Mas nós estamos buscando na forma que a lei nos permite. E apostamos nas doações individuais. Qual é o empresário que quer investir no PT hoje? Nenhum.
AUTOAVALIAÇÃO
Regina Barata por ela mesma...
Ponto forte: “Competência como gestora e a experiência como atuante na defesa dos Direitos Humanos”.
Ponto fraco: “Estão satanizando a política e os políticos. Tenho sofrido com isso”.
QUEM É REGINA?
Nome: Regina Lúcia Barata Pinheiro Sousa, 55 anos, casada, 3 filhos.
Profissão: Advogada, defensora Pública do Estado.
Cargos eletivos que ocupou: Foi vereadora por 2 mandatos - 1997 a 2000 e de 2001 a 2002 - e deputada estadual também por 2 mandatos - de 2003 a 2006, e 2007 a 2010.
É presidente de honra da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD).
(Rita Soares/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar