Está nas mãos de Deus! Vivemos em um Estado democrático e estou sempre aberto ao diálogo com os colegas de farda”, disse o comandante geral da Polícia Militar, coronel Roberto Campos, sobre o pedido de afastamento dele do cargo pelas associações de soldados, cabos e demais praças da PM e Corpo de Bombeiros.
Além de Campos, os associados querem, ainda, o afastamento do titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Jeannot Jansen. O comentário do comandante da PM foi feito ontem, durante encontro com a imprensa, na Delegacia Geral da Polícia Civil, em Belém.
Coronel Roberto Campos foi questionado sobre de que forma combater a criminalidade, uma vez que os praças denunciam a falta de equipamentos e aparatos para trabalhar, além de outros problemas, como a falta de combustível para as viaturas fazerem rondas.
Confrontado, Campos negou que os policiais enfrentem problemas assim. “Todos os policiais recebem kits de segurança para trabalhar”, rebateu. Quanto a combustível, Campos alegou que a corporação tem um orçamento de R$ 2,1 milhões para usar na manutenção e circulação das viaturas. O presidente da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares do Nordeste do Pará, Walmir Teixeira, discordou das falas de Roberto Campos.
“Os policiais recebem o kit de segurança para trabalhar! No fim de seus turnos, precisam entregar para serem usados por outros policiais”, disse Walmir. Segundo ele, cerca de 20% do efetivo policial que atua na região nordeste do Estado não pode levar para casa o kit de segurança.
REUNIÃO
A entrevista ocorreu após a reunião entre os titulares de órgãos de Segurança Pública do Estado e as entidades que representam os policiais. O tema central do encontro foram as mortes de 17 policiais este ano no Pará. As estatísticas chamam a atenção para o fato de que a maioria das ocorrências aconteceram na Região Metropolitana de Belém. “5 mortes foram no interior, sendo que 4 delas estão com as investigações concluídas”, pontuou o diretor de Polícia Especializada, Sílvio Maués. Em 2015, 28 policiais foram mortos no Pará, segundo a Segup.
CULPA
Ironicamente, para o secretário adjunto de Segurança Pública e Defesa Social do Estado, coronel Hilton Benigno, não existe crise no setor que comanda. “O problema da segurança pública não é um problema de policiamento, por exemplo, mas sim de se discutirem políticas públicas em outras áreas. O País enfrenta uma forte crise e o número de desempregados é muito grande”, divagou em defesa da pasta.
(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)
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