Somente na capital paraense, pelo menos 6 taxistas foram assassinados enquanto estavam de serviço esse ano, segundo o Sindicato dos Taxistas de Belém do Estado do Pará (STABEPA).
No entanto, o índice reflete apenas uma parte da realidade violenta que assola a categoria, já que os dados do Stabepa não levam em consideração as mortes dos taxistas que não estão associados a entidade sindical, como no caso do taxista Elielson Heitor Guimarães dos Santos, de 35 anos, morto a tiros na noite da última quinta-feira (8), na Praça São Sebastião, no bairro da Sacramenta. Ele não era sindicalizado, mas a instituição pretende acompanhar o caso.
“O número de taxistas mortos é altíssimo, mesmo que a gente considere somente os 6 casos de associados nosso. É alto porque não deveria ter nenhum colega vítima de violência”, considerou Alain Castro, presidente do Stabepa.
A maioria das mortes está relacionada a assaltos e a crimes motivados pelo tráfico de drogas, segundo o presidente do sindicato. “E o risco não é somente para os taxistas, mas para todos os trabalhadores que estão sujeitos a serem abordados por bandidos em qualquer parte da cidade”, desabafou.
Alain já foi vítima da violência enquanto taxista. “Hoje estou paraplégico, numa cadeira de rodas, em consequência de um assalto que sofri”, frisou. Ele não entra em detalhes sobre o que lhe aconteceu, mas reiterou que os traumas ainda existem. Teme ainda passar pela área por onde sofreu o assalto.
Nas ruas e nos pontos de táxi, é quase impossível não encontrar um trabalhador do transporte de passageiros que já tenha sofrido assalto ou de outro tipo de violência durante o serviço.
Poucos têm histórias de que conseguiram se livrar de bandidos. Este é o caso por exemplo do taxista Marcondes Torres, 52 anos, que há 25 anos atua na praça. “Graças a Deus nunca fui assaltado, mas ando sobressaltado desde que por pouco escapei de 2 ocorrências”, celebrou.
Em uma destas situações Marcondes chegou a entrar com o carro dentro de uma igreja evangélica na Avenida Perimetral. “Quando percebi a atitude suspeita dos supostos passageiros entrei com o carro na igreja. Os dois suspeitos desceram e saíram correndo”, lembrou. Esse caso aconteceu há menos de 2 anos, conforme lembra.
“Hoje não adianta selecionar passageiros. A gente nuca sabe quem vai nos assaltar”, destacou o taxista. “Outro dia um amigo estava aqui no ponto, recebeu um telefonema de um cliente pedindo uma corrida. Foi, então, buscar o passageiro e na viagem o assalto foi anunciado. O pior é que o assaltante era uma mulher, que fez casinha para roubar o colega”, atentou Marcondes.
O taxista Franz Leonidas Raudenkalb, 68 anos, roda na praça há 40 anos e comenta que a violência aumentou nos últimos anos.
“Já fui assaltado 2 vezes. Na primeira enquanto levava um passageiro para o aeroporto, às 4h. A outra foi um grupo de adolescentes que pegou o táxi como passageiros, apontaram a arma e levaram toda a renda. Colocaram a arma na minha cabeça”, disse Franz ao frisar que escapou da morte naquele dia.
ÁREAS DE RISCO
O DIÁRIO perguntou aos taxistas entrevistados e ao Stabepa se existem áreas em Belém nas quais não costumam fazer corrida. Os três deram respostas evasivas para não se comprometer, mas indiretamente apontaram a Terra Firme, o Guamá e o Telégrafo como áreas que preferem não trafegar.
O presidente do STABEPA, Alain Castro, pontuou que a entidade tem dialogado constantemente com a Polícia Militar e isso tem ajudado a dar uma maior sensação de segurança aos taxistas – que mesmo com medo não podem parar de trabalhar e sustentar a família. “Temos reuniões periódicas com o comando de policiamento metropolitano”, desfechou.
(Denilson D`almeida/Diário do Pará)
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