Um produto com baixa acidez e grandes propriedades nutricionais e medicinais pode substituir o tradicional tucupi na mesa do nortista. A ideia é substituir a centenária culinária indígena, que coloca o tradicional caldo no olimpo da culinária paraense, por outra opção feita com frutas: o tacaburi. Esse caldo é feito à base de buriti, cubiu e castanha-do-Pará e pode se tornar uma alternativa para consumidores com alergia e, principalmente, com gastrite – doença com altos índices na nossa região -, por seu baixo índice de acidez.
Os estudos com o buriti foram iniciados em 2009 e passaram por várias fases, incluindo pesquisas teóricas e trabalhos de campo, desenvolvimento de tempero e degustações, até chegar à versão definitiva. “O tucupi usado no tacacá tradicional possui um nível de acidez que pode chegar no equivalente a um refrigerante de cola”, afirma Afonso Rabelo, engenheiro florestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), pós-graduado em Ciências Biológicas e idealizador do projeto. “Com esse produto buscamos uma alternativa para as pessoas que tem problemas alérgicos ou estomacais”, destaca.
CONTAMINAÇÃO
Ele lembra, ainda, que geralmente a produção do tucupi é artesanal e a bebida pode estar sujeita à contaminação, principalmente por coliformes fecais. Segundo Afonso, alguns estudos com amostras de tucupi, compradas em mercados e feiras, foram analisados e comprovaram em algumas delas um índice de contaminação acima do padrão exigido pela legislação brasileira.

Afonso Ribeiro diz que a criação pode matar a vontade de quem é alérgico ao tucupi ou sofre de problems estomacais. (Foto: divulgação)
Ele diz ainda que alguns comerciantes de tucupi utilizam um corante artificial chamado de tartrazina com objetivo de melhorar a aparência e coloração do produto. Nesse caso, a mistura do tucupi com corante pode causar reações alérgicas. “Diante disso tivemos a ideia de desenvolver um tempero mais saudável a base de três espécies diferentes de frutos nativos da Amazônia, além de ervas de plantas amazônicas”, reitera o pesquisador. Bebida tem semelhanças ao tucupi na proporção do aroma e do paladar, “mas menor acidez e com propriedades nutricionais”, completa.
PREPARAÇÃO
Na preparação do tacaburi, a castanha-do-Pará é usada para dar viscosidade, o cubiu para conferir o sabor azedo
e o buriti para promover
a coloração amarelada.
“O tacaburi é um tempero concentrado e, quando diluído em água, se transforma
numa bebida semelhante ao tucupi. O nome ‘tacaburi’ é a junção das palavras ‘tacacá’ e ‘buriti’”, explica o pesquisador Afonso Rabelo, da Coordenação de Biodiversidade do INPA.
(Luiz Flávio/Diário do Pará)
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