plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

"Belém está se favelizando", diz Ivanildo Cardoso

Ivanildo Gomes Cardoso, ou simplesmente Professor Ivanildo (PRTB), diz que quer ser prefeito de Belém e criar uma “verdadeira revolução no município”. Por outro lado, suas ideias são, no mínimo, polêmicas. Entre elas, está a de criar uma coordenadoria de

twitter Google News

Ivanildo Gomes Cardoso, ou simplesmente Professor Ivanildo (PRTB), diz que quer ser prefeito de Belém e criar uma “verdadeira revolução no município”. Por outro lado, suas ideias são, no mínimo, polêmicas. Entre elas, está a de criar uma coordenadoria de combate à corrupção e à mordomia no serviço público, diminuindo o número dos cargos de DAS (Direção e Assessoramento Superior) e colocando à frente dos órgãos municipais funcionários públicos de carreira. “Tenho 30 anos de serviço público. Será que não terei capacidade de gerenciar a minha área?”, diz. Ele defende, ainda, o transporte por bicicletas e a fusão de escolas municipais e creches, que funcionariam como uma “Escola-Casa”.


P: Por que um professor quer ser prefeito de Belém?
R: Devido aos últimos acontecimentos no Brasil, recebi apelos de combate à corrupção. A eleição municipal de 2016 será um parâmetro para vermos até que ponto todo esse processo que estamos vendo nos últimos anos refletirá nos destinos do País. Decidi enfrentar essa eleição, porque Belém está abandonada, entregue às baratas. Pretendo passar para a gestão pública a visão de cidade, de população, sobre serviços que eu passo para os meus alunos em sala de aula. Uma visão que respeita os direitos do cidadão. De gestores que não ocupam cargos políticos, mas cargos públicos. Hoje, a preocupação do prefeito é entregar cargos públicos para quem o ajudou na campanha e isso reflete na vida de quem vive na cidade.


P: Belém é uma cidade-problema, com deficiência em várias áreas. Qual será a sua prioridade de governo, caso seja eleito?
R: A primeira coisa que vou fazer é a reorganização urbana de Belém. Hoje, as calçadas e esquinas estão todas tomadas. Não há fiscalização e a acessibilidade e mobilidade não são permitidas. As praças que existem são as do início do século e são cuidadas pela população, não pela Prefeitura. Todas estão despovoadas, deterioradas e sujas. Os pontos turísticos não são prestigiados pelos paraenses. Belém está se favelizando, se tornando uma grande periferia. E a Cidade Velha, que deveria ser um grande centro cultural e gastronômico, como é na Europa, hoje está abandonada
e deixando de existir.

P: A mobilidade urbana também é outro ponto negativo em Belém. Qual sua avaliação do BRT?
R: O BRT perdeu a função pelo tempo que se levou para construí-lo e até hoje não está pronto. Eu moro na avenida Augusto Montenegro. Ali, temos 3, 4 quilômetros que não estão prontos. O que você faz indo do Mangueirão a São Brás? O que tem neste trajeto? As pessoas vão para o Centro Comercial, mas precisam ir para outros locais e o BRT não atende. O BRT acaba sendo uma obra política e não existe mobilidade. Vou tirar aqueles monstrengos de concreto que hoje existem na Augusto Montenegro e levar para a casa do autor daquilo. O BRT terá de ser concluído, mas terá de ter outra finalidade, de um transporte rápido. Hoje, sai de lugar nenhum e leva para nenhum lugar. O BRT foi inaugurado sem planejamento e sem função.


P: Como melhorar mobilidade, então?
R: Vou investir nos transportes cicloviário e hidroviário na cidade, com pequenas estações e policiamento. Belém precisa usar bicicletas. É ecológico e saudável.


P: A segurança pública é atribuição básica do Estado e não do município. Mas nessa campanha há promessas de se criar uma Secretaria Municipal de Segurança Pública. O senhor concorda com isso?
R: A insegurança pública de hoje na cidade é a falta de políticas públicas da prefeitura de ontem. Não temos como evitar a violência, mas temos como prevenir. Se eu conseguir que uma criança de 11 anos fique 8 horas dentro da escola, vamos combater a violência. Não seria escola de tempo integral, que isso é um engodo. Chamo de “Escola-Casa”, com uma equipe multidisciplinar, com professor, psicólogo, assistente social e pedagogo, que possam dar um suporte para o aluno e sua família. Dessa forma, evitamos que a criança de hoje seja o marginal de amanhã. Pesquisas mostram que os criminosos estão casa vez mais novos, porque estudam cada vez menos, ficam cada vez menos na escola.


P: E qual seria a política de segurança em Belém?
R: O debate sobre segurança no município seria feito por uma coordenadoria integrada, incluindo Prefeitura, Ministério Público, Defensoria Pública e as polícias Civil e Militar. A Guarda Municipal funcionaria não como a SWAT, mas como uma guarda comunitária, mais próxima do cidadão, nas praças, escolas e no trânsito. Dessa forma, o município contribui na segurança. Não se combate violência com violência.


P: Quais suas propostas na área da Saúde?
R: Simples: cumprir o que é função da prefeitura. Precisamos construir hospitais? Claro, mas junto com os governos Estadual e Federal. Não adianta dizer que vai construir 10 hospitais, que não é verdade. Temos de fazer funcionar o que já existe, colocar médicos especialistas nos Pronto-Socorros e Unidades de Saúde. A Prefeitura precisa garantir o atendimento especializado. Hoje, quem chega numa unidade com uma perna quebrada não tem sequer traumatologistas e exames de imagens. Não sou promesseiro. Prefeitura é coisa séria. Ninguém vai fazer o que andam prometendo por aí e vamos continuar com uma cidade ruim. Se eu fosse prefeito, pegaria aqueles dois hotéis com leitos que foram cedidos para a Semob e transformaria num grande hospital.


P: E na área da Educação?
R: Readaptar e transformar todas as escolas municipais que já existem em “Escolas-Casa”, com permanência de 8 horas. Queremos que os alunos fiquem lá como se estivessem na sua casa, com estudo, refeição e atividades de qualidade, fazendo também o mesmo com as creches. A ideia seria inclusive fundir as escolas com as creches, gerando economia do recurso público, pegando o que já tem e melhorando. Não adianta prometer construir palácios, se o que tem está deteriorado, com professores ganhando mal e sendo agredidos, alunos morrendo dentro das escolas.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!