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Lélio Costa: “Hora de trazer Belém para o séc. 21”

Candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Lélio Costa, 37 anos, tem feito uma campanha em que se apresenta como elemento novo. Caso eleito, promete usar a tecnologia para garantir mais transparência à gestão pública. Uma das suas propostas prevê

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Candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Lélio Costa, 37 anos, tem feito uma campanha em que se apresenta como elemento novo. Caso eleito, promete usar a tecnologia para garantir mais transparência à gestão pública. Uma das suas propostas prevê a implantação de GPS nas ambulâncias, para que os moradores da cidade saibam, em tempo real, onde estão os veículos. “Vamos trazer Belém para o século 21”, afirmou, na entrevista concedida ao DIÁRIO. O candidato falou, também, de BRT, financiamento de campanha, possíveis apoios no segundo turno e comunismo.

P: O seu partido foi um dos principais apoiadores da presidente Dilma Rousseff na luta contra o impeachment. Mas no Estado, vocês resolveram lançar candidatura própria e não se unirem ao PT. Por quê?

R: Estamos vivendo um novo momento no País. É momento de buscarmos afirmar a nossa identidade. O PC do B tem 94 anos. É o partido mais antigo da República. É um partido que tem um programa para o Brasil. Acreditamos que é possível viver, construir e criar um novo projeto nacional de desenvolvimento para o País, baseado na tecnologia, no fortalecimento da indústria, em buscar conhecimento, em fomentar o conhecimento, em valorizar a nossa diversidade e fazer as reformas estruturantes que são importantes. Achamos que já era hora, depois de 22 anos, de voltar a ter uma candidatura própria em Belém.


P: Muita gente considera que as teses comunistas estão ultrapassadas. O senhor acredita que ainda há espaço para essas teses na sociedade contemporânea?

R :Na verdade, há, digamos assim, um preconceito muito forte. Foi uma cultura construída pelo pensamento de direita contra o termo “comunismo”. Criaram-se visões distorcidas. Na verdade, “comunismo” vem de “comum”. Buscamos o bem comum, construir uma sociedade justa, fraterna, sem apologia à pobreza. Queremos uma sociedade próspera, mais justa.


P: As pesquisas mostram que a sua candidatura ainda não decolou. Como o senhor avalia isso?

R: Eu vejo com muita tranquilidade. Sou um nome novo na política. Disputei minha primeira eleição em 2014. Belém ainda está me conhecendo. Mas há muita aceitação do nosso discurso, da nossa forma de fazer política. Uma forma inovadora, transparente, ética, compromissada com a verdade, com as conquistas do povo e com os trabalhadores paraenses.

P: Os candidatos têm encontrado dificuldades de financiamento, por causa dos recentes escândalos envolvendo caixa dois nas campanhas. Como o senhor está fazendo para manter os gastos nessa disputa?

R: A nossa campanha tem caráter militante. O PC do B tem uma marca histórica na militância. Nessa hora, ela se apropria do projeto, vai às ruas. Recebemos apoio de profissionais liberais, servidores públicos. E eu mesmo também investi minhas reservas pessoais.


P: O senhor já pensou em quem apoiaria num eventual segundo turno?

R: Nós temos de dialogar, discutir internamente no partido. Essa decisão vai passar por uma avaliação. Isso, claro, se não formos para o segundo turno.


P: O Psol do candidato Edmilson Rodrigues seria uma alternativa?

R: Acho que é possível o diálogo com muitas forças, com muitos matizes políticas. O PC do B não é um partido que se fecha, é um partido aberto ao diálogo.


P: Vocês podem conversar, inclusive com o partido do delegado Eder Mauro, o PSD?

R: Teríamos um pouco mais de dificuldade, por causa de certas posições que colidem frontalmente com o nosso pensamento. Como falei, somos um partido político aberto aos diálogos. Mas é preciso ter algum nível de compromisso, de entendimento.


P: Quais são suas prioridades, caso venha a ser prefeito de Belém?

R: Primeiro, nós temos problemas centrais em Belém, que são a Saúde e a Segurança Pública. Precisamos tratar com prioridade a Saúde da nossa cidade, mas pela lógica da saúde e não da doença. Hoje, a gestão é preparada para a doença.


P: Então, o senhor investiria mais na saúde preventiva?

R: Sim, em programas como o Saúde da Família. A ideia é cobrir o máximo possível o município com a estratégia, atrelada a uma política de saneamento público, principalmente na periferia, onde há mais fragilidade. Boa parte da água de Belém é consumida sem tratamento. Há muitas crianças que vão para o Pronto-Socorro com doenças gastrointestinais por causa da água suja. E isso poderia ser tratado com saneamento básico. Vamos criar o Mais Saúde Belém, com atendimento itinerante por distritos e por bairros.


P: O BRT se tornou um problema em Belém. Como o senhor avalia o projeto?

R: Falta um plano municipal de mobilidade urbana que priorize o pedestre, o ciclista e, só depois, os veículos automotores. Precisamos concluir o BRT, embora esse não seja o projeto dos nossos sonhos, por causa da maneira como foi concebido e executado. Não houve diálogo com a sociedade.


P: O Pará tem um dos piores índices de desenvolvimento da educação, também no ensino infantil que é de responsabilidade do município. Como o senhor pretende resolver esse problema?
R: Investindo na lógica de incluir as crianças nas escolas. O Ideb de Belém caiu. Foi um fato excepcional na história. E caiu por quê? Porque, na verdade, as escolas estão abandonadas, os professores estão desmotivados. O resultado é uma educação de péssima qualidade. Temos de construir creches, transformar as escolas em centros de referência das comunidades, colocando esporte, cultura, lazer, integrando a comunidade à escola.


P: Como o senhor pretende se apresentar no restante da campanha?
R: A sociedade vai conhecendo nossas propostas. Meu nome é novo. Somos um partido de esquerda, um partido tradicional, ético. A sociedade precisa participar da gestão, não com as fórmulas usadas na década de 80, com aquelas plenárias, porque isso é muito mais difícil. Hoje, todo mundo tem smartfone. Podemos usar isso para, por exemplo, mostrar como estão sendo feitos os gastos públicos. Uma medida que vou tomar é colocar GPS em cada ambulância da cidade. As pessoas vão saber onde está a ambulância mais próxima, o que está fazendo. Vamos transformar Belém na capital do conhecimento, da inovação. É hora de trazer Belém para o século 21. Ainda estamos no século 20.

(Rita Soares/Diário do Pará)

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