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Eleitores enfrentam caminho cheio de dificuldades

Menos de meio metro. Foi esse o espaço que cadeirantes, portadores de muletas, idosos e diversos outros eleitores usaram para chegar até a Escola Estadual Maria Luiza, no bairro do Bengui, em Belém. A estrutura, improvisada em concreto e ferro, possuía ar

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Menos de meio metro. Foi esse o espaço que cadeirantes, portadores de muletas, idosos e diversos outros eleitores usaram para chegar até a Escola Estadual Maria Luiza, no bairro do Bengui, em Belém. A estrutura, improvisada em concreto e ferro, possuía arestas pontiagudas que podiam machucar as pessoas.

Diante de uma poça de lama escura e suja na frente da escola, o carreteiro Denis Costa, de 43 anos, teve de passar de muletas. “Não é nada bom ter de andar bastante e quando a gente chega pra votar encontra uma dificuldade maior ainda”, reclamou.

As dificuldades continuaram dentro do espaço escolar. “Aqui estuda gente ou animal?”, questionou a dona de casa Raimunda Brito, de 65 anos, depois de votar em uma sala de frente para um matagal. “Parece que o governador pensa que aqui é local de cavalo, porque tem só mato na escola. Como é que diz que prioriza a educação se esse local está totalmente abandonado?”, completa perplexo, o aposentado Raimundo de Almeida, de 72 anos, companheiro de Raimunda.


O aposentado José da Silva, de 71 anos, enfrentou a iluminação precária nos 3 corredores da escola e o ambiente quente e abafado para votar. “Acredito que é importante, mesmo não sendo obrigado”, justifica. Ainda na escola do Bengui, outras situações chamaram a atenção. Diante da urna, a estudante de serviço social Jéssica da Silva, de 24 anos, se deparou com um “santinho” deixado em cima da urna. “Desconfio que alguém fez isso intencionado”, conta.

O delegado eleitoral, Alan Navegantes, de 39 anos, disse que tinha até fiscal eleitoral coagindo verbalmente eleitores a votarem em seus candidatos em outra escola do mesmo bairro. “Nesses casos, tanto na do santinho esquecido na urna, quanto da coação, a gente adverte e encaminha o caso a um técnico do TRE [Tribunal Regional Eleitoral]”, explica.

Além da dificuldade de acessibilidade nos espaços de votação, pessoas foram flagradas distribuindo santinhos nas ruas próximas das zonas eleitorais, uma das práticas que se configura em crime eleitoral.

(Wal Sarges/Diário do Pará)

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