Nos últimos 4 anos, as denúncias feitas por educadores e estudantes a respeito do sucateamento da educação pública municipal tornaram-se cada vez mais frequentes. É caso da Escola Municipal Ruy da Silveira Britto, situada no bairro do Marco, em Belém.
Após receber várias reclamações, a coordenação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) fez uma visita à escola e constatou o seu estado de abandono.
Os problemas detectados durante a visita, tanto na área externa quanto interna da escola, foram expostos no site do sindicato, no último dia 25. Mesmo com as cobranças do Sintepp junto ao prefeito Zenaldo Coutinho, a escola recebeu a última reforma há 8 anos.

Última reforma na escola, segundo o Sintepp, ocorreu há 8 anos. Ou seja, antes da gestão de Zenaldo. (Foto: Sintepp/divulgação)
Dentre os inúmeros problemas verificados no local estão bebedouros deteriorados, piso com lajotas quebradas, vasos sanitários sem tampa, salas de aulas mal ventiladas e mal iluminadas, com paredes pichadas, além de portas, móveis e carteiras quebradas.
Em algumas salas, ainda são usados quadro de giz, um produto que contém sulfato de cálcio heptahidratado, que oferece riscos para a saúde.
Uma aluna da 6ª série do ensino fundamental, que pediu para não ser identificada, ressalta que o prédio todo está necessitando de reforma.
Ela citou, por exemplo, que na sala onde estuda as carteiras estão danificadas e o ambiente é quente, já que é fechado e tem apenas 2 ventiladores.
A estudante reclama ainda do pequeno espaço na área externa, na parte da frente da instituição, que é destinada à recreação
dos estudantes.
REFORMA
Coordenador jurídico do Sintepp, o educador Maurilo Estumano ressaltou que cerca de 90% das 75 escolas municipais necessitam de reforma.
Segundo ele, a maioria dos prédios fica em bairros periféricos. Maurilo destaca casos semelhantes ao da Ruy da Silveira, como o da escola Municipal Manuela de Freitas, em São Brás, que foi demolida pela gestão municipal anterior e a sua reconstrução não foi concluída até hoje.

O Sintepp encontrou diversos livros espalhados pelo chão do prédio. (Foto: Sintepp/divulgação)
Segundo Maurilo, a obra desta escola era umas das que estavam previstas na lista apresentada em 2015 por Zenaldo ao Sintepp, na qual constavam 25 instituições que passariam por reforma.
A promessa era de que seriam entregues ainda nesta gestão. Porém, apenas 5 delas receberam serviços. “Tivemos 8 reuniões durante esses 4 anos com o Zenaldo e ele mentiu para a categoria”, criticou Estumano.
(Diário do Pará)
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