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Internet é uma forma de democratizar a comunicação

Uma ideia na cabeça, uma câmera na mão, uma conexão de internet e um canal no Youtube. Assim surgiu um fenômeno das redes sociais no Pará: o canal “Com Farinha”. Criado e mantido por um grupo de cinco jovens, o canal mostra cenas do cotidiano, com muito b

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Uma ideia na cabeça, uma câmera na mão, uma conexão de internet e um canal no Youtube. Assim surgiu um fenômeno das redes sociais no Pará: o canal “Com Farinha”. Criado e mantido por um grupo de cinco jovens, o canal mostra cenas do cotidiano, com muito bom humor e uma linguagem bem paraense.

Um dos esquetes de sucesso é o Master Chibé, uma sátira ao programa Master Chef (exibido pela RBA/BAND). Nele, os concorrentes precisam elaborar pratos à base de produtos paraenses. Criado em 2013, o canal tem 20 mil inscritos, 40 mil seguidores no facebook e seus vídeos já foram vistos por mais de 500 mil pessoas. Diretor, roteirista e fundador do canal, Jefferson Oliveira, 24 anos, fala, nesta entrevista, sobre como uma diversão se tornou coisa séria. Mas sempre com muita graça e sotaque paraense.

>> Acompanhe o canal Com Farinha no Youtube

P: Como você definiria o canal Com Farinha?

R: O canal começou como um laboratório. A gente começou a produzir vídeos antes de entrar para o curso de comunicação, meio de brincadeira. A partir do momento que começamos a estudar, a gente viu que essa era uma oportunidade de botar em prática o que a gente aprendia na sala de aula. E começamos a experimentar. Dentro do canal tem vários formatos. Não fazemos só esquetes e cenas. A gente faz um pouco de jornalismo e videoclipes.

P: E qual seria a linha do Com Farinha?

R: Temos um norte, que é sempre trabalhar com elementos da Amazônia, do Pará. O canal foi criado foi justamente para isso. Percebíamos que havia na internet muita gente produzindo, mas a maioria com temas mais gerais. Queríamos algo com o que o paraense pudesse se identificar. Foi aí que a gente começou a colocar nossas gírias, nosso jeito de falar. Vamos falar “égua”, brincar com a culinária, com esses símbolos bem nossos e assim as pessoas vão se identificando. Acho que esse foi um fator para que o canal desse certo. As pessoas se identificam com as situações que a gente coloca.

P: Por que vocês escolheram esse nome para o canal?

R: A gente queria que os paraenses e os nortistas se identificassem. Toda a identidade do canal, o nome, as cores, as situações, tudo que a gente usa é pensado em algo feito por paraense. Para as pessoas que moram aqui ou que são daqui, estão em outros lugares, mas estão com saudades.

P: Que tipo de vídeo faz mais sucesso?

R: Os vídeos que mais atraem as pessoas são os baseados no cotidiano. A gente fala, por exemplo, da pessoa que vai pegar o ônibus e o motorista não para. As pessoas vivem isso e acabam se dentificando com a situação e compartilhando.

P: Quais são as maiores influências do grupo?

R: Eu tenho muito influência do humor de TV. Minhas referências foram, por exemplo, Hermes e Renato e também a primeira geração de Youtubers que era o PC Siqueira e depois com o pessoal das esquetes, como o canal Porta dos Fundos.

P: Que tecnologias vocês costumam usar?

R: A gente começou fazendo vídeo com celular no quarto. Hoje, não. Melhoramos a qualidade. Hoje a gente tem câmera, microfone, tem gravador e computador pra editar.

P: E isso dá algum retorno financeiro?

R: Dá (risos).

P: Então, como é esse retorno da internet?

R: Existem 3 formas básicas de você ganhar dinheiro fazendo vídeo para a internet: a primeira é ganhar dinheiro do próprio Youtube, com o seu número de visualizações. A segunda forma é transformar isso numa vitrine para o trabalho. As pessoas sabem que eu sei escrever, que eu sei dirigir, que eu sei gravar, que eu sei editar e acabam contratando a gente. E a terceira forma é transformar numa marca, você pode, sei lá, abrir uma lojinha do Com farinha. Vender caneca, camiseta...

P: Muita gente sonha em fazer sucesso com a internet. Tem uma receita?

R: A internet é um pouco imprevisível. Às vezes, o cara produz tanto, faz uma grande produção e não consegue bombar. E outros explodem sem a gente esperar. O vídeo que bombou nesta semana é de moça dançando no comércio, fazendo uma coreografia de música angolona. Eu não sei te dizer a fórmula da internet.

P: Há um excesso de oferta na internet e, nesse meio, muita coisa ruim. Como tu avalias isso?

R: Eu acho interessante. Eu acho que a internet é uma forma de democratizar a comunicação. E muitos jovens que não teriam como mostrar seus trabalhos acabam tendo essa janela. Um menino do Jurunas, de repente, consegue ser visto no Canadá. Antes da internet, isso era impossível.

P: O Pará é pouco mostrado fora daqui. Como canais podem ajudar a mudar isso?

R: Com essa produção, a gente consegue mostrar que estamos aqui. As pessoas pensam que a gente não tem tecnologia, que não sabe produzir no Estado. A gente fez até uma premiação, que se chama Com Farinha Vídeos Awards, que premia os produtores de vídeo paraenses, porque assim a gente consegue fazer com que eles produzam com mais qualidade, porque sabem que tem gente olhando, avaliando

P: Você produzem muitas paródias. Como se dá essa relação com a música paraense?

R: A gente gosta muito de valorizar a música local. Usamos tecnobrega, brega, carimbó. Mas a gente pega também referências pops. Eu acho que a internet carrega isso, o hibridismo, a convergência. Pegar uma música americana que está no top 1 do mundo e colocar ela com o tecnobrega. Isso é a cara da internet. Uma paródia que a gente fez foi logo após a separação da Joelma e usamos a música da madona “Bich I’m Madonna”. A gente adaptou, fez pra Joelma, e fez meio uma disputa, falando que ela era melhor do que Ximbinha.

P: Como é a repercussão nas redes sociais?

R: A galera gosta, comenta. As pessoas daqui gostam bastante, mandam mensagens para a gente continuar. E a gente consegue também atingir paraenses que moram fora. Recebemos muitas mensagens de pessoas dizendo que matam saudade do Pará assistindo aos vídeos, pedindo para gente usar determinada situação.

(Rita Soares/Diário do Pará)

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