A edição 2016 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mudou o habitual clima de final de semana no Pará e no Brasil. No sábado (5), foi o dia das provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, e este domingo (6), foi a vez das provas de matemática, português e redação.
O DOL conversou com professores para tentar apanhar um balanço geral destes dois dias que foram tão esperados por estudantes de todo o país. Ambos os docentes foram unânimes em um aspecto: as provas seguiram o mesmo padrão de anos anteriores, sem nenhuma surpresa.
Allan Miranda, professor de Matemática, com vários alunos inscritos nas provas do Enem, ressaltou que a prova de Matemática deste domingo (06) foi extremamente complexa e cansativa, mas que todas as questões foram dadas em sala de aula.
“Foi uma prova que exigiu muito esforço mental por parte do aluno, mas que estava dentro do esperado por mim. As questões de Exatas no Enem seguem uma linha de raciocínio que envolve razão e proporção, estatística, interpretação de gráficos, geometria e aritmética.
O professor da disciplina de Matemática já analisou as questões do exame deste domingo (06) e concluiu para o DOL que algumas são muito semelhantes às que foram passadas em sala de aula.
“Ainda não conversei com meus alunos, mas analisei as questões que saíram hoje na prova de Matemática. O Enem continua com sua excelência na elaboração das provas, questões complexas e que exigem muito raciocínio", explica o professor.
Para Paulo Lopes, professor de História, que há cinco anos dedica suas aulas para ajudar alunos que pretendem fazer o Enem, as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza mantiveram o mesmo foco dos anos anteriores: Atualidade.
“Os exames, tanto de História quanto de outras disciplinas das Ciências Humanas permaneceram abordando temas atuais. Em exames anteriores, por exemplo, tivemos questões sobre os refugiados, sobre violência contra a mulher, que inclusive foi o tema da redação no ano passado e gerou muita polêmica envolvendo ideologias políticas. Este ano, a tendência de trazer discussões atuais não mudou, o tema da redação sobre intolerância religiosa é um exemplo disso”, afirma o professor Paulo.
Para o docente, a prova deste ano de 2016 contou com um ingrediente novo: um certo clima de mistério, principalmente no que diz respeito à política.
“Tivemos essa mudança de orientação política em nossas instituições, e isso foi relativamente tão rápido que os alunos inscritos começaram a se perguntar se esta convulsão política e social que vivemos iria ter influência nos exames. Mas não houve isso. Por outro lado, até mesmo os intolerantes tiveram que refletir e construir um texto (a redação deste ano pedia para que os alunos discorressem sobre o tema "Intolerância Religiosa"). Isso mostra que o Enem continuou o mesmo (no aspecto questionador).” comenta Paulo.
Segundo o professor de História, o nível de dificuldade continuou o mesmo padrão, porém ele faz uma ressalva. “Acho que as questões foram conteudistas demais, limitaram-se ao programa do Ensino Médio. Isso tem uma explicação: mostra preocupação das instituições de que sejamos uniformes no ensino, até porque hoje é possível inclusive você receber certificado de Ensino Médio com a nota do Enem, portanto, é natural a preocupação”.
Os gabaritos dos dois dias de Exame Nacional de Ensino Médio serão divulgados na próxima quarta-feira(9) de manhã no portal do Inep. O resultado final será no dia 19 de Janeiro do próximo ano. O DOL deseja boas energias a todos os participantes desta jornada.
(Igor Reis/DOL)
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