Na última quarta-feira (9), o Pará acordou com uma excelente notícia: o Governo Federal cedeu, ao Estado, trecho da BR-316, entre o Entrocamento e Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB). A conquista, articulada pelo ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, junto ao presidente da República, Michel Temer, é um passo fundamental para a implantação efetiva do BRT, cuja proposta é interligar áreas da RMB. “A nossa parte está feita. Agora, é torcer para que o Governo do Estado tire do papel esta obra tão importante”, declarou o ministro Helder Barbalho.
Com isso, o governador do Pará, Simão Jatene, não terá mais desculpas para continuar retardando as obras do BRT. Há mais de 5 anos, o governador vem prometendo entregar o BRT à população. Mas nada acontece. Considerado por especialistas a mais importante obra de mobilidade urbana a ser implantada nas principais capitais do País, o BRT é fundamental para a RMB.
Dinheiro público
O BRT Metropolitano deveria se conectar ao sistema de Belém, facilitando o tráfego de pessoas e melhorando o trânsito em toda a região. Mas o que tem acontecido, desde o início do projeto, é a má aplicação do dinheiro público e problemas de planejamento. E tudo isso numa obra com custos de R$ 1 bilhão.Se, na parte de Belém, o BRT também se arrasta (veja abaixo), fora da capital, na área metropolitana, o problema é ainda mais grave. A previsão era de que a obra fosse concluída no ano passado, incluindo a finalização do prolongamento da avenida 1º de Dezembro, da passagem Mariana até o viaduto do Coqueiro. Se o projeto estivesse concluído - como o governador prometeu -, a população já estaria usufruindo de um serviço de transporte coletivo bem melhor e ágil.
BRT de Belém também está se arrastando
Assim como acontece no BRT Metropolitano, o trecho do projeto na capital segue em lentidão. E, pior, sem se entender com Governo do Estado - apesar de o governador e o prefeito, Zenaldo Coutinho, serem do mesmo partido (PSDB). Em Belém, o projeto se arrasta há quase 8 anos, tendo começado ainda na gestão de Duciomar Costa. A previsão inicial era de que, apenas no trecho que fica dentro dos limites da capital paraense, fossem investidos R$ 500 milhões. Como o projeto deveria ser expandido a toda a área Metropolitana, o investimento poderia chegar a R$ 1 bilhão, somando a parte sob a responsabilidade da Prefeitura com a que caberia ao Estado. Ao assumir, Zenaldo anunciou que era necessário rever o BRT, em razão de supostos erros de execução da obra. Até agora, ele já torrou mais R$ 320 milhões. Mesmo assim, o sistema está longe de funcionar como deveria.
Desculpas, viagem ao Japão e... atrasos
Para justificar o atraso nas obras do BRT Metropolitano, Jatene tentou até colocar a culpa no Governo Federal, que, segundo o governador, queria privatizar parte da BR-316. “Tudo isso são só desculpas”, chegou a dizer o deputado estadual Iran Lima. “O governador tem criado confusão entre os projetos para justificar a falta de atitude dele”.As desculpas contrastam com a realidade. A verdade é que o Governo Federal tem interesse no BRT Metropolitano. Tanto que garantiu parte dos recursos para a obra e acaba de entregar ao próprio Estado um trecho de 16 Km da BR-316. Além disso, há 4 anos, Jatene viajou ao Japão, para acertar um empréstimo de R$ 320 milhões com a Agência Internacional Japonesa (Jica). Com dinheiro público, Jatene levou grande comitiva para conhecer Tóquio e voltou ao Pará prometendo tocar a obra do BRT Metropolitano com agilidade. Só palavras.
Licitação
E agora, quando o Governo Federal já deu toda a ajuda possível e imaginável - inclusive com a atuação do ministro Helder Barbalho a favor do Pará -, Jatene anuncia mais um atraso. Ocorre que o próprio governador havia afirmado que a licitação para as obras do BRT Metropolitano seria concluída ainda este ano, mas, segundo Jatene, só vai sair em junho de 2017. E como nenhuma obra começa logo após a aprovação de uma licitação, é perfeitamente razoável concluir que nada - ou muito pouco - vai acontecer até 2018. Ou seja, o povo do Pará pode esperar por mais uns 2 anos até o BRT ser concluído.

(Diário do Pará)
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