Comum à rotina de qualquer pessoa, a oportunidade é a ‘chave’ que permite o acesso ao necessário processo de inclusão das pessoas com Síndrome de Down. A reflexão foi tema do I Ciclo de Palestras sobre a Síndrome de Down, realizado no último sábado, no Hangar, em Belém. O evento contou com a participação do pediatra e geneticista especialista na síndrome, Zan Mustacchi.
Primeiro latino-americano a receber um prêmio científico pela Down Syndrome International, dos Estados Unidos da América, pelas contribuições prestadas à temática ao longo de sua trajetória médica, Zan destaca que o processo de inclusão das pessoas com Down depende de forma mais intensa do ciclo de convivência do indivíduo. “O pai, a mãe, o amigo, o professor devem descobrir o que proporciona prazer ao indivíduo com Síndrome de Down e incentivar a criação de oportunidades”.
Quando se avalia o comportamento de uma pessoa que não tem a síndrome, o médico destaca que o habitual é que o próprio indivíduo tem a habilidade de identificar e buscar as oportunidades que lhe levarão ao caminho que pretende seguir. No caso da pessoa com Síndrome de Down, porém, as oportunidades precisam ser levadas até eles. Os responsáveis por oferecer o leque de oportunidades existentes a eles são justamente as pessoas mais próximas. “Para qualquer condição, não existe inclusão se ela não for precedida de oportunidade”, reforça.
ESPORTES
Através do incentivo da própria família, José Henrique Santos Barbosa Júnior, 24 anos, viu nos esportes a oportunidade de fazer o que lhe dá prazer. Portador da Síndrome de Down, aos quatro anos de idade ele tinha dificuldades para andar.
Porém, as oportunidades a que teve acesso ao longo do processo de crescimento fez com que, anos mais tarde, ele se tornasse campeão de um campeonato de natação do qual participou. “Me sinto bem no coração (quando está nadando)”, descreveu, ao revelar que o próximo sonho que pretende conquistar é o de casar e formar uma família.
AVANÇOS
Mãe de José Henrique, a pediatra Maria Margarida, 54 anos, acompanha as conquistas do filho sempre com consciência da necessidade de estímulo. Além de natação, José Henrique gosta de jogar futebol e andar a cavalo. “A geração de crianças com Síndrome de Down que está vindo agora já tem mais informação, assim como os pais”, avalia Maria Margarida.
“As oportunidades existem, mas o desenvolvimento do jovem depende muito do ambiente familiar que está inserido e dos estímulos que receberá”.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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