I nconformados com a redução de 1 médico plantonista por turno na clínica médica do Pronto-Socorro Municipal Humberto Maradei, o PSM do Guamá, em Belém, ontem os médicos do setor de cirurgia geral e da ortopedia também entregaram as escalas que cumpriam naquele PSM. Com isso, deixam de ir trabalhar, em protesto.
Na quarta-feira (23), médicos plantonistas já tinham feito o mesmo, após serem informados sobre a decisão da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) de reduzir de 4 para 3 a quantidade de médicos por plantão do setor de clínica médica (veja box ao lado).
Sem os profissionais para fazer o atendimento nos 3 setores, pacientes que chegam ao hospital são orientados a procurar o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março ou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sacramenta. Foi o que aconteceu com o autônomo Elinaldo Bastos, 46. Sentindo dores na coluna, procurou o PSM do Guamá, ontem à tarde, mas não conseguiu ser atendido. “A situação está péssima. É o ‘Zenada’ né? Agora vou ter de pegar o táxi para tentar ser atendido na 14”, criticou o paciente.
Na tarde de ontem, no PSM da 14, o cenário não era melhor: corredores lotados, inclusive com pacientes deitados em macas. Pessoas passando mal na sala de espera, aguardando por atendimento e acompanhantes indignados com a situação. O autônomo Rony Pereira, 36, saiu do município de Vigia de Nazaré para acompanhar a avó, que viajou de ambulância para Belém após ser transferida do hospital municipal local onde estava internada desde segunda-feira (21).
RECLAMAÇÃO
Ao chegar à capital paraense ontem pela manhã, a família tentou buscar atendimento para a paciente no PSM do Guamá, mas foram direcionados para o PSM da 14. “O hospital está superlotado. Vem muita gente de cidades do interior para cá. É revoltante”, disse. Na manhã de ontem, o Sindicato dos Médicos do Estado do Pará protocolou um documento pedindo a intervenção do Conselho Regional de Medicina (CRM) junto ao Ministério Público do Estado (MPE) para reveter a diminuição do número de médicos. “Pode até ter diminuído o número de pacientes atendidos no Guamá. Mas a complexidade é a mesma do PSM da 14. Só que lá são 4 médicos por plantão. Então, por que diminuíram no Guamá?”, questionou o diretor do Sindmepa, João Gouvêa.
Ele acrescentou que o sindicato aguarda uma resposta da Sesma sobre o assunto. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) não se manifestou sobre a situação do PSM da 14. Sobre o do Guamá, secretaria disse, anteontem, que a escala de médicos foi readequada por causa da “diminuição da
demanda do hospital”.
ENTREGA DA ESCALA
- A redução do número de médicos por plantão no PSM do Guamá ocorreu na quarta-feira (23).
- Na mesma mensagem recebida pelos médicos, a direção do hospital comunicou que os que estivessem insatisfeitos com a decisão poderiam entregar a escala até as 14h daquele dia, já que eles não possuem vínculo empregatício com a Sesma.
- Trinta médicos decidiram entregar a escala.
- Os profissionais também registraram um Boletim de Ocorrência (BO) na Seccional de São Brás, no mesmo dia, para ter um respaldo a mais.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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