Ao mesmo tempo em que pede socorro financeiro ao Governo Federal, o governador Simão Jatene autoriza o seu time de primeiro escalão a torrar dinheiro público com produtos considerados supérfluos. A novidade é o pregão eletrônico anunciado pela Casa Civil, chefiada pelo ex-deputado estadual José Megale Filho, para contratar uma empresa para fornecer 4.462 refrigerantes em lata de 350 ml, pelo período de 12 meses, apenas na Casa Civil.
O aviso de licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 28 de novembro passado. A abertura do pregão está prevista para o próximo dia 12 e os fornecedores interessados podem ter acesso ao edital no site www.compraspara.pa.gov.br.
O DIÁRIO conferiu o edital e localizou a quantidade exata de latas de refrigerantes que serão consumidas pelos servidores e comissionados lotados na Casa Civil do Governo do Estado. O absurdo começa pela distinção do produto, para atender todos os públicos - os que tomam o tradicional refrigerante comum e os que só ingerem os chamados “diets”-.
A Casa Civil estimou o consumo de nada menos do que 2.304 latas dos refrigerantes chamados comuns, o que totaliza um valor estimado em R$ 5.253,12. Outras 2.160 latas são para quem gosta de “matar” a sede com um refrigerante diet. Cada unidade, segundo o edital, sai a R$ 4, e o gasto total só com este tipo de produto é de R$ 8.640,00. Um detalhe importante: a lata de uma Coca Zero, marca mais conhecida deste tipo de refrigerante, custa R$ 2,24 em boa parte dos
supermercados de Belém.
REAÇÃO
A publicação da licitação no DOE foi replicada por servidores públicos de outros órgãos em vários grupos de mensagens instantâneas nos últimos dias. O grupo que reagiu com muita veemência à provável compra de 4.4 mil latas de refrigerantes foi o da Polícia Militar.
O DIÁRIO conversou com um policial, que denuncia a falta de pagamento do auxílio-fardamento, enquanto o Governo do Estado torra verba pública com supérfluos. Segundo ele, no começo deste ano, o Governo do Estado não repassou o aumento do salário mínimo. “Falou que o aumento viria em abril. Abril veio e disse que não iria pagar por falta de verbas”, reclama.
Ainda segundo ele, o segundo pagamento do auxílio-fardamento não foi feito por falta de verba e pra não atrasar o pagamento do 13º o pagamento foi cancelado. “Vamos aguardar a próxima canelada”, desabafou o policial, que pediu para não ser identificado temendo ser punido.
O que daria para comprar com r$ 13 mil
32 cestas básicas
A compra dos refrigerantes em lata vai custar aos cofres públicos R$ 13.893,12. Com este valor daria para comprar e distribuir 32 cestas básicas, considerando o valor calculado para cada uma delas em R$ 425,00, conforme pesquisa recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
| R$ 2,28É quanto o Governo do Estado está disposto a pagar pela lata do refrigerante comum. Em supermercados, as latas das marcas mais conhecidas custam, em média, 2,24. R$ 4É quanto o Governo deve pagar pela lata do refrigerante diet. Em supermercados, este produto custa, em média, R$ 2,24. |
(Diário do Pará)
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