Quando o céu começa a escurecer e os trovões anunciaram a chuva, a aposentada Alzyra Araújo, 72 anos, teme em ver, mais uma vez, sua casa indo para o fundo. Há 10 anos, ela mora na travessa Mariz e Barros, no bairro do Marco, em Belém, e já perdeu as contas de quantos eletrodomésticos teve de trocar por conta das enchentes. Com a forte chuva que caiu, por quase uma hora, na tarde do último sábado, ela não chegou a ter os objetivos danificados, porém, teve o trabalho de tirar água de dentro de casa. “Todo tempo é assim. Chove um pouco e ficamos nessa situação. O que a gente pode fazer para mudar isso?. Acho que nada”, reclama a moradora. O temporal, que caiu de forma intensa, fez o canal da passagem José Leal Martins, também no Marco, transbordar. Tendo de sair de casa, a cozinheira Gisele Santiago, 34 anos, colocou os pés na água para chegar ao trabalho. “Enquanto não tiver uma reforma, cai um chuvisco e o canal enche”, lamenta.
Com o período das chuvas mais intensas na capital se aproximando, Gisele já se prepara para os alagamentos. “Temos de colocar muros na frente de casa para conter a água”, afirma. A travessa Mauriti, de esquina com a passagem Hortinha, no mesmo bairro, também ficou tomada pela água, no sábado. Pedestres, motociclistas e motoristas tiveram de se arriscar para passar no perímetro alagado.
BRT
Na Terra Firme, a chuva provocou a enchente de parte da avenida Celso Malcher. Já quase chegando à rua Santa Helena, o pneu de um ônibus rasgou, quando ele tentou passar pelo trecho. “Todo tempo é assim. Não melhora e o prejuízo é nosso”, lamentou Alexandre Holanda, 37 anos, o motorista do coletivo. A vendedora de lanche, Keila Oliveira, 25, que mora no local há 1 ano, está preocupada com as chuvas mais demoradas. “Água invade as casas e lojas. Perdemos tudo”, denuncia. Na Pedreira, a avenida Pedro Miranda, esquina com a Mauriti, também ficou inundada.
Já na Augusto Montenegro, no perímetro onde as obras do BRT já estariam avançadas, a chuva alagou boa parte da avenida, deixando um “rio” de lama e dificultando o tráfego no local. No domingo, a chuva voltou a cair forte, durante a tarde, e alagou novamente as ruas. A prefeitura foi procurada pelo DIÁRIO, mas até o fechamento desta edição, não deu retorno.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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