O projeto de Revitalização da Feira do Ver-o-Peso, em Belém, vai ter de sofrer severas adequações para ter a aprovação da sociedade belenense. Pelo menos é o que aponta o relatório elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Pará (Iphan-PA) com o resultado das audiências públicas realizadas para discutir o projeto.
O relatório foi divulgado semana passada e inclui 13 eixos que tratam de temas como a concepção do projeto, o sistema de coberturas, a distribuição de setores, a elaboração do termo de referência, dentre outros. A consulta pública realizada no período de 2 a 31 de março deste ano, por meio do portal do Iphan, foi finalizada com uma audiência pública, no dia 7 de abril. Além disso, o instituto ofereceu reuniões para apresentação do projeto e recebimento de considerações e posicionamentos dos diversos setores do Ver-o-Peso.
Crítico ao projeto inicial elaborado pela Prefeitura de Belém, o Iphan intermediou as discussões em parceria com o Ministério Público Federal (MPF). Segundo o coordenador técnico substituto do Iphan-PA, Fernando Mesquita, o projeto oferecia grande impacto negativo à leitura do conjunto tombado e às relações tradicionalmente estabelecidas no complexo do Ver-o-Peso.
“A proposta, sob o pronto de vista da preservação do patrimônio cultural, não valorizou e nem reforçou o caráter de feira do conjunto”, explica Mesquita. “Tampouco preservaria as relações de escala e proporcionalidade entre os diversos elementos construídos que integram o complexo”, observa.
PROBLEMAS
Entre os problemas observados na consulta pública, está a proposta de cobertura da feira que, segundo o Iphan, implicará em perda da flexibilidade dos espaços e de coerência visual, além de impactar no tombamento do Ver-o-Peso, já que o formato da nova feira seria como de um edifício. Outro problema identificado na consulta é a distorção entre o número e área de barracas por feirante, que seria incompatível com a realidade atual da área.
A audiência apresentou, ainda, inúmeros outros problemas físicos, estruturais, paisagísticos e de manutenção e conservação dos alimentos nas novas barracas. Por fim, o relatório sugere que o projeto preserve a identidade do local mais como feira e menos como supermercado e que as alterações sejam mais discutidas com os trabalhadores da feira.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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