O Natal é o dia de reunir a família para a ceia e trocar os presentes, em torno do símbolo cristão da paz e do amor em Cristo. Mas, para muita gente, a data é só mais uma de trabalho, como qualquer outra. E tem gente que vai estar longe da família e usar as redes sociais para ficar, pelo menos um pouquinho, perto dos familiares e amigos. Mesmo assim, sempre se dá um jeito de se confraternizar com quem estiver próximo. Afinal, o espírito ainda existe.
Atendente em uma cooperativa de Táxis, Josineide de Jesus Lima, 32 anos, vai passar mais um Natal no batente. Preferia ficar em casa com a mãe e o namorado, mas diz que já está acostumada. “Antes daqui, trabalhei na área de serviços gerais do aeroporto, passei muitos natais trabalhando”, conta.
Para tentar espantar a solidão, Josineide conta que fará uma pequena confraternização com os colegas no local de trabalho. Além dela, serão mais duas atendentes no plantão. “Cada uma vai trazer uma comida e a gente vai confraternizar”, garante. Encontro com a família, só no dia seguinte. “Vou reunir todo mundo no almoço”.
RELIGAÇÃO
Agente de portaria e garçom, Cezar Castilho, 49, diz que já encara com naturalidade o trabalho na Noite do dia 25. Neste ano, ficará na portaria do prédio onde trabalha e poderá folgar no dia 31, isso se não conseguir um bico como garçom. Indagado se não se importa com o clima de Natal, Cezar reage. “Tanto gosto que meu filho faz aniversário no dia 24, mas sei que o trabalho é necessário e importante, então não vejo problemas”, explica afirmando que no dia seguinte estará de folga e vai encontrar a família e comer “as sobras da ceia”.
Por causa da tese de doutorado, a professora e pesquisadora Kalynka Cruz, 43, vai passar o natal na Espanha, longe dos 3 filhos e confessa: não será fácil. “Reconheço que o Natal é mais do que uma reafirmação de crenças, um momento de religação social e eu fico triste de estar distante da minha família e amigos”. Para ela, a solução vai ser recorrer às redes sociais. “Mesmo fora do Brasil, estarei, também nesta data, com os meus”, afirma.
Data costuma mexer com o emocional das pessoas, diz psicóloga
A psicóloga Josie Mota afirma que o período de festas gera reações emocionais que acabam envolvendo toda a sociedade. “O natal é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo e, para os cristãos, é uma data da maior importância, pois significa união com a família e felicidade”, afirma. Mas, explica ela, há outros aspectos como o apelo ao consumo que nem sempre pode ser atendido por todos, especialmente em momentos de crise.
“Neste período de crise econômica e instabilidade política nossos sentimentos, ideias e afetos tendem também a ficar mais suscetíveis a essas dificuldades”, reitera. “É comum ouvirmos no consultório queixa de sentimentos de “impotência” diante da realidade ou ansiedade diante das
incertezas” , completa
(Rita Soares/Diário do Pará)
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