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Engenheira diz ter sido agredida por pastor

A Delegacia de Combate a Crimes Discriminatórios (DCCD) da Polícia Civil está investigando uma denúncia de crime de homofobia. Segundo o relato de Thayana Corrêa Mamoré, um pastor a teria agredido com tapas e socos, dizendo que ela iria para o inferno por

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A Delegacia de Combate a Crimes Discriminatórios (DCCD) da Polícia Civil está investigando uma denúncia de crime de homofobia. Segundo o relato de Thayana Corrêa Mamoré, um pastor a teria agredido com tapas e socos, dizendo que ela iria para o inferno por ser “sapatão”. A vítima conta ainda ter sido arrastada para dentro de uma igreja evangélica, no bairro da Sacramenta, em Belém.

O crime teria ocorrido na noite de Natal (25). Tudo teria começado após uma discussão sobre uma garagem. Thayana relata que foi pedir ao pastor durante o culto da igreja, que funciona no andar de baixo da sua casa, para ele retirar seu carro da vaga de sua casa, pois estava bloqueando a passagem.

“Não foi o primeiro episódio, mas desta vez decidi tomar atitude. Entrei na igreja e reclamei. Ele disse para eu tomar cuidado com a mão de Deus, eu saí da igreja e quando percebi, ele saiu atrás de mim, me dando um murro no lado direito do rosto e me chamando de sapatão”.

A engenheira de computação relata ainda que, em seguida, foi arrastada pelo pastor e por seu filho para dentro da igreja, onde a violência física e verbal continuou. “Fui arrastada para dentro da igreja, enquanto ele gritava que eu iria pro inferno porque eu era sapatão. Lá dentro, ele e seu filho me deram vários murros na cabeça”, conta.

Portas Trancadas

Thayana relatou ainda que sua namorada foi impedida de entrar na igreja para tentar lhe ajudar. “Para mim, o mais impressionante, foi que as pessoas da igreja estavam dando apoio ao pastor, mesmo vendo as agressões que eu estava sofrendo”, desabafou.

A engenheira disse ainda que nunca esperou ser vítima de homofobia. “Eu já sabia dos crimes de ódio, mas sentir na pele me fez querer contribuir de verdade para acabar com isso, mostrar que não é frescura como muitas pessoas dizem. Isso acontece diariamente com muita gente e tem que parar, é um crime de ódio, e as pessoas tem que perceber que existe sim”.

Pastor intimado

Thayana registrou a ocorrência na Delegacia de São Brás, onde, segundo a mesma, não recebeu o atendimento adequado. "O crime de homofobia está especificado em nosso código, eu o sofri, e queria relatar, mas o delegado disse que não precisava especificar as agressões verbais, e que não iria fazer exame de corpo de delito, pois não havia hematomas, minimizando meu sofrimento", contou.

Não satisfeita com o tratamento que recebeu por parte da Delegacia de São Brás, Thayana encaminhou-se na terça (27) para a DCCD, que atualmente funciona no prédio da DIOE, para denunciar o caso. A delegada de plantão registrou a ocorrência, e exigiu que a Delegacia de São Brás realizasse o exame de corpo de delito em Thayana. O pastor foi intimado a depor nesta quinta-feira (29), para justificar as alegações de injúria homofóbica e lesão corporal.

(DOL)

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