O bairro da Campina é movimento. É multidão lotando as ruas do centro comercial. É fileira de carros subindo a avenida Presidente Vargas, ônibus nas paradas deixando passageiros, táxis no acostamento apanhando clientes. É morador e visitante passeando pelas calçadas da Praça da República.
Não é à toa que o bairro foi tombado como Patrimônio Cultural, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2011, compondo, junto com a Cidade Velha, o Centro Histórico da cidade. Apesar disso, a conservação e manutenção das construções do local são precárias. Vendedores ambulantes ocupam as calçadas de forma desordenada e moradores de ruas fazem das esquinas suas casas. Vários prédios históricos estão pichados e a violência assusta moradores e visitantes.
José Maria da Silva, 70 anos, que já mora há 20 na Presidente Vargas e há 23 tem uma banca de revista por lá, nem cogita se mudar. “De jeito nenhum!”, garante ele, “aqui é ótimo. É no centro, perto de tudo, tem loja e restaurante de todo tipo. Não tem lugar melhor”. Suely Ferreira, 49, vendedora ambulante, concorda. Ela se mudou há apenas 2 anos, mas já trabalha no mesmo ponto, em frente ao Theatro da Paz, há 17. “Criei meus dois filhos e agora meus dois netos, sempre trabalhando aqui, neste mesmo ponto”, ela conta. “É bem localizado e bem movimentado. Eu me mudei justamente para morar mais perto do meu trabalho porque não quero sair daqui”, destaca.
A praça também é o local onde está o Theatro da Paz (Foto: Marcelo Lelis)
O Espaço Palmeira está abandonado (Foto: Marcelo Lelis)
Fachada da loja Paris N’América, uma das mais tradicionais do Centro Comercial (Foto: Marcelo Lelis)
INSEGURANÇA
Andando um pouco mais para o norte, nas redondezas do Comércio, as opiniões começam a divergir. Um casal que faz compras com frequência no lugar confessa ter receio. “A gente se arrisca por causa do preço. É mais perigoso, mas é mais barato”, conta ela, Amanda Oliveira, uma estudante de 27 anos. Ele, Rosamiro Costa, 37 anos, gerente de restaurante, complementa a namorada. “A gente se sentou aqui nesse banco para descansar, mas sempre olhando em volta e dizendo ‘cuidado’ um por outro”, explica. Aldenira Barros, 43, vendedora de roupas, trabalha no comércio, concorda com a insegurança e diz faltar policiamento. “Sempre tem algum incidente por aqui, principalmente nas partes menos movimentadas”, conta. Ela também reclama do lixo. “A população precisa se conscientizar, mas a prefeitura tem de fazer a parte dela.” Mas, apesar das ressalvas, a vendedora elogia o bairro pelas oportunidades de emprego que oferece. “É um ótimo lugar para se trabalhar. Ainda mais no fim de ano, quando sempre estão precisando de mais gente”, garante.
A HISTÓRIA
A Campina é o segundo bairro mais antigo de Belém, surgindo após a Cidade Velha, no século 17, nas redondezas da então chamada Praia da Campina, onde hoje é o mercado do Ver-o-Peso.
Em 1835, a Campina foi um dos principais palcos da Guerra da Cabanagem. Durante a Belle Époque, foi transformada em centro comercial. Foi daí que veio o nome que perdura até hoje, Comércio, ainda chamado por alguns, principalmente os mais velhos.
(Arthur Medeiros/Diário do Pará)
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