Desde que foi fundada, em 2000, a Aldeia Amazônica David Miguel, conhecida como Aldeia Cabana, no bairro da Pedreira, é palco do habitual desfile de Carnaval de Belém. Todos os anos, milhares de brincantes de diversas agremiações e cerca de 50 mil pessoas se reúnem no local para a folia de Momo. Contudo, neste ano, a população corre o risco de ficar sem o tradicional desfile das escolas de samba, já que a 46 dias da data, a Prefeitura de Belém ainda não se posicionou diante das escolas de samba, sinalizando se haverá ou não apoio financeiro.
Para cobrar respostas emergenciais do prefeito Zenaldo Coutinho, os dirigentes das Escolas do Grupo Especial do Carnaval de Belém organizaram às 16h um ato pacífico nesta terça, 3, em frente à Prefeitura Municipal de Belém. Porém, o ato foi cancelado, já que o prefeito foi pressionado a voltar atrás e marcou uma reunião para a próxima sexta-feira (6), com os representantes.
De acordo com o presidente da escola de samba Rancho Não Posso me Amofiná, do bairro do Jurunas, Fernando Guga, os grupos de Belém estranham e temem a situação, já que normalmente as primeiras reuniões com a Prefeitura para decidir o próximo carnaval já começa em meados de junho do ano anterior. Desta vez, até agora, não tiveram quaisquer sinal.
“Queremos saber sobre duas questões: se vai ter o Carnaval na Aldeia e se terá apoio financeiro às escolas”, ressaltou Guga.
Segundo o presidente, no Carnaval de 2016, por exemplo, já em agosto de 2015 os principais assuntos já estavam alinhados e, como foi comemorativo aos 400 anos da capital, a Prefeitura repassou uma verba de R$ 150 mil para cada escola.
O Governo do Estado, por meio da Setur, também costumava contribuir com aproximadamente R$ 25 mil para cada grupo, mas, até o momento, também não se posicionou
Se com o apoio do poder público já está difícil, sem ele é praticamente impossível. “Não tem como fazer o desfile tradicional sem apoio e temos pouco dinheiro próprio por causa da crise”, afirmou o presidente.
Assim, se não houver apoio, as escolas serão obrigadas a fazer os carnavais somente nos arrastões de rua. “O Carnaval faz parte da história da cidade. É muita falta de compromisso da Prefeitura não apoiar a cultura popular”, disse Guga.
CANCELADOS
Vale recordar que outros eventos que fazem parte do calendário tradicional de Belém já foram cancelados recentemente por falta de apoio financeiro. O Festival de Iemanjá, celebrado nos dias 7 e 8 de dezembro, foi anulado.
Na semana passada, às vésperas do Ano Novo, a Prefeitura informou que não haveria programação no Portal da Amazônia, bairro do Jurunas, onde famílias já esperavam prestigiar programação gratuita. Nem mesmo a Estação das Docas, um dos principais complexos turístico e cultural da cidade, manteve programação do dia 31 para 1º de janeiro.
(Alice Martins Morais/Diário do Pará)
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