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Em Belém é assim: chove, alaga tudo!

Todo ano é a mesma coisa. Bastam os primeiros sinais do inverno amazônico para os transtornos começarem. Moradores das áreas alagadas da maior cidade da região Norte enfrentam uma via crucis para tentar proteger móveis, roupas e a própria saúde, em meio a

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Todo ano é a mesma coisa. Bastam os primeiros sinais do inverno amazônico para os transtornos começarem. Moradores das áreas alagadas da maior cidade da região Norte enfrentam uma via crucis para tentar proteger móveis, roupas e a própria saúde, em meio ao caos que toma conta de Belém durante a chuva, que nem precisa ser grossa.

A aposentada Benedita Melo da Costa, 69 anos, moradora do bairro do Marco, diz que cansou de esperar providências do poder público. Neste ano, pegou as parcas economias e decidiu fazer obras na casa antes que caíssem as chuvas. Construiu um pequeno muro na entrada da casa e instalou uma espécie de válvula, para impedir que a água dos canais entre na pequena casa de 3 cômodos. Gastou R$ 1 mil com materiais e mão de obra e torcepara que tudo dê certo.

“Tinha de fazer alguma coisa, porque ninguém toma providências. Minha esperança é de que melhore”, afirma. Prevenida, Benedita não conta apenas com a obra. Como já é tradição, mal o ano começou e já levantou os móveis e eletrodomésticos. Geladeira e fogão estão sobre tijolos e pedaços de madeira. José Raimundo dos Santos, 69, mora há 4 décadas no mesmo endereço, no bairro do Guamá. Já perdeu móveis, materiais de trabalho (ele conserta equipamentos eletrônicos) e, neste ano, tomou uma medida radical: construiu um muro de cerca de 70 centímetros na frente de sua casa. Gastou R$ 500 parcelados em 4 vezes.

Obra

Na primeira chuva, contudo, percebeu que o problema não foi resolvido. “A rua encheu, os carros passavam e levantavam a água, que entrava dentro de casa”, diz. “Não resolveu totalmente. Mas, pelo menos, melhorou”. A aposentada Alzira Rodrigues Araújo, 72, brinca: “Sou uma celebridade”, conta, lembrando que perdeu a conta das entrevistas que deu para falar do drama da casa alagada. “Nesta eleição, falei com Zenaldo Coutinho, peguei na mão do governador. Masnada foi feito”, diz. A noite de Natal, conta ela, foi passada entre baldes e bacias. “Não precisa nem chover forte. Basta o canal encher e a água invade tudo”. Alzira diz que já perdeu sofá e armários e desistiu de comprar novos. O que sobrou da mobília está sobre uma espécie de jirau feito com tijolos e restos de madeira. Para abrir a parte de cima da geladeira, precisa de um banquinho. “Tem toda uma engenharia para não perder mais coisas”, afirma.

Orçamento não contempla promessas

Durante a campanha eleitoral, o prefeito Zenaldo Coutinho afirmou que, entre as prioridades, estavam as obras de drenagens dos canais do Paracari, em Icoaraci, e do Mata Fome, na área da Cabanagem. A vereadora Marinor Brito (Psol) alerta, contudo, que nenhuma das duas é mencionada no orçamento municipal, aprovado para este ano. “Essas obras dependem de recursos externos que devem vir de empréstimos”, destaca. “Mas, a Prefeitura tem de dar contrapartida e não há no orçamento um centavo que indique que haverá essa contrapartida”, explica.

Para vereadora, a simples limpeza de canais não é suficiente para livrar a população dos transtornos causados pelos alagamentos. “Era necessário fazer obras mais substanciais”. Em entrevista logo após a sua posse, Zenaldo disse que a Prefeitura tem recursos para obras emergenciais de limpeza de canais, para amenizar os efeitos das cheias, mas não revelou quais os valores a serem aplicados

Saneamento

Péssimos índices

Sem investimentos, a capital paraense continua patinando em péssimos índices de saneamento que se traduzem nos problemas enfrentados pela população, especialmente durante o chamadoinverno amazônico.

Dados do Instituto Trata Brasil apontam Belém como a 14ª pior cidade do País (em um ranking de 87) levanto em conta quesitos como fornecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgotos.

(Rita Soares/Diário do Pará)

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