O período chuvoso em Belém já chegou e traz um velho problema conhecido na cidade, os alagamentos. Trinta minutos de chuva intensa e parte da cidade vai para o fundo, gerando transtorno a centenas de pessoas. Quem passa pelo sufoco vai logo se perguntando sobre o que está faltando para solucionar esse problema.
Diretamente ligado à gestão deficiente do poder público, os alagamentos estão ligados a fatores naturais, como a maré alta e falta de manutenção de canais e bueiros. A professora Germana Menescal, doutora em engenharia sanitária e ambiental, explica que Belém possui terrenos baixos que sofrem influência da maré alta. “Quando ocorre a maré alta com a precipitação de chuva, os canais enchem e transbordam”, explica Germana.
A questão pode ser resolvida com a colocação de comportas nos canais, pois a estrutura de concreto impede o avanço da maré ao continente. Além disso, é recomendável a limpeza permanente dos canais e bueiros, que, em geral, estão sempre entulhados ou mal conservados.
COLETA REGULAR
Nesse caso, outra providência indicada é a coleta regular dos resíduos sólidos, atitude que deve partir tanto do poder público, no caso da coleta diária, como da população, que nunca deve acumular lixo na rua, no entorno dos canais e na frente das residências. “O certo é colocar as sacolas de lixo somente momentos antes do carro coletor passar. Se colocar antes, vai tudo para as vias”, ressalta.
PROBLEMA DE TODOS
Os alagamentos não escolhem classe social e, no caso de Belém, atingem tanto a periferia como o centro. Mas é nas áreas mais pobres que o problema afeta o maior número de pessoas. Nesses locais, não existe rede de drenagem e o saneamento básico é quase sempre precário. “Aqui na rua a gente reza para não chover, porque se a chuva cair fica tudo alagado”, reclama a dona de casa Josefa Amaro, moradora do bairro do Marco, na periferia de Belém e onde há uma grande concentração de canais.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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