Aum mês do carnaval, os foliões já começam a vestir a fantasia daqueles personagens que muitos gostariam de viver ou ser por pelo menos um dia na vida. São justamente estas fantasias que tornam a folia pré-carnavalesca uma festa diferente, caracterizada pela alegria, criatividade e – por que não? – ousadia. No último fim de semana, Belém viveu este universo de personagens que ganharam vida através de homens e mulheres, adultos e jovens, que foram às ruas do centro histórico de Belém para participar dos arrastões de blocos carnavalescos. Pelo menos dez mil pessoas passaram pela Rua Dr. Assis, o corredor da folia, ontem (29) e sábado (28), nos blocos Kalango e Fofó de Belém.
FANTASIAS
“Em qualquer época as fantasias me encantam. A gente se realiza com estas fantasias”, definiu o ator e diretor de teatro Cláudio de Melo, 60, que estava fantasiado de sheik árabe. Ao lado dele, a esposa fantasiada de palhaça, o genro de pirata e a filha da personagem da Chapeuzinho Vermelho. Detalhe, personagens com propostas diferentes, mas ligados numa única vontade de aproveitar o carnaval.

Cláudio Melo colocou a fantasia de sheik árabe para se divertir com a esposa, que optou pela fantasia de palhacinha. (Foto: Wagner Santana)
POLICIAL
Com uma peruca branca e uma roupa de policial, a cabeleireira Priscila Noronha, 40, também se realizou na avenida. Questionada se a fantasia dela tinha caráter sensual, a resposta foi rápida. “Quero algemar todos os boys para mim”, brincou.
Ao longo de todo o percurso, as fantasias eram muitas, e de todos os estilos. Tinha super-herói, fadas, bruxas, abelhinhas, personagens de cinema e até anjinhos. Por falar em anjos, se teve alguns deles por lá, também tiveram os personagens contrários: algumas diabinhas apareceram para tentar foliões. Uma delas era a comerciante Arlene Girard, 52. “No carnaval soltamos o que a gente tem vontade ser”, comentou.
Os arrastões dos blocos começam sempre a partir das 16h, às vezes um pouco mais cedo. Mas antes da saída dos trios tem quem opte por improvisar um bloco ali na concentração. Este foi o caso da banda Los Viegas que, em frente ao Forte do Presépio, no Complexo Feliz Lusitânia, fez uma apresentação e começou a puxar os foliões ao som de marchinhas tradicionais. E no chão mesmo fez o público pular.
Foliões fizeram a festa no sábado (Foto: Wagner Santana)
No sábado teve muita micareta
Os blocos que saem nos dias de sábado, na Cidade Velha, tem por característica resgatar as micaretas. Este foi o caso, por exemplo, do bloco Kalango, que no último dia (28), trouxe a atração nacional Ricardo Chaves para encerrar o arrastão.
Para quem segue atrás do trio elétrico, a palavra de ordem é curtir. “A gente aproveita, para se divertir. E esquecer os problemas. O carnaval é festa, é alegria”, enfatizou a odontóloga Cristina Passos, 34, que estava no bloco junto com a irmã e as primas.
RENDA EXTRA
Os arrastões dos blocos no centro histórico de Belém também consistem numa oportunidade para muitos autônomos ganharem dinheiro. O vendedor ambulante André Freitas, 33, diz que chega a lucrar R$ 600 durante os dois dias de trabalho, no final de semana.
“Sou eu quem praticamente puxo os blocos”, brincou André, pelo fato de seguir sempre a frente dos arrastões. Ele vende máscaras e outros adereços carnavalescos. “As tiaras são as mais procuradas”, ressalta.
“Os preços variam e a gente sempre negocia”, completou.
(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar