“Uma empresa que tem seus custos aumentados e entrega o mesmo preço para a população, uma hora ela não consegue se sustentar. E isso acumulado há 8 anos, imagina o rombo que provoca”, disse o engenheiro sanitarista Eduardo Siqueira. Pertencente ao quadro da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), ele ratificou a situação de sucateamento da empresa abordada na carta encaminhada pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Pará (Senge/PA) ao senador Jader Barbalho. Ele - que também é membro do Senge - explicou que a defasagem tarifária tem contribuído para o desequilíbrio econômico e financeiro da empresa.
O engenheiro garante que a arrecadação mensal da empresa fica totalmente comprometida somente com custos essenciais, como energia elétrica e aquisição de insumos químicos para tratar a água. Com isso, não se consegue suprir o básico, o que tem feito a Companhia, por exemplo, atrasar o pagamento de fornecedores e colaboradores terceirizados. “Em outubro passado, encerraram o contrato com uma empresa de serviços gerais. Na metade de novembro, trabalhadores de jardinagem começaram a fazer esse serviço”, disse ao acrescentar que “os próprios funcionários da Cosanpa precisam comprar materiais como papel higiênico, já que até mesmo isso falta na empresa”.
Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Pará (Senge/PA), a engenheira civil Eugenia von Paumgartten, autora da carta enviada a Jader Barbalho, ressaltou que o objetivo do sindicato é conscientizar a população, o poder público e o Legislativo para que sejam tomadas as devidas providências a fim de evitar que a empresa decrete falência.
“A sistemática é a mesma. O mentor intelectual da privatização da Celpa foi o governador Simão Jatene, que, na época, era secretário de Planejamento”, disse a sindicalista, afirmando que o intuito do atual governo é sucatear para privatizar a Cosanpa da mesma forma como ocorreu em 1998 com as Centrais Elétricas do Pará (Celpa), na gestão de Almir Gabriel.
Eugenia destaca que o equilíbrio econômico/financeiro da empresa é previsto legalmente, mas não é cumprido pelo seu principal acionista, o governo do Estado. “Assim como a Celpa faz reajustes periódicos de sua tarifa para a compensação de gastos, com pessoal e serviços, a Cosanpa também tem esse direito. Esse descaso é proposital”, pontua, ao lembrar que, ao longo dos últimos três anos, ocorreram significativos reajustes com energia elétrica e que a Cosanpa está entre os maiores consumidores de energia do Estado. Sem o equilíbrio das contas, consequentemente não há investimento para melhorar o serviço e garantir o bem-estar da população paraense como um todo.
RECUPERAÇÃO
Ainda de acordo com Eugenia, o quadro de engenheiros da Cosanpa elaborou um plano técnico, envolvendo todos os aspectos necessários para recuperar a empresa. O mesmo foi apresentado diversas vezes à direção da companhia. “A resposta é sempre a mesma: agradecem, mas não colocam em prática”, diz. “A tarifa necessária para cobrir as despesas totais da Cosanpa deveria ser reajustada entorno de 180%. Hoje, se a Cosanpa fosse privatizada, o reajuste seria muito maior”, garante.
Outro problema apontado por Siqueira, em decorrência da carência de recursos, causada sobretudo pela falta de reajuste da tarifa e de gestão, é a falta de manutenção dos componentes dos sistemas. Ele diz que, atualmente, a empresa atua apenas emergencialmente quando ocorre um problema, a exemplo do grave vazamento identificado em dezembro passado na maior adutora do Complexo Bolonha. Segundo ele, toda subestação precisa ter um sistema de remanejamento para atender a população afetada pelo problema, o que não ocorre na Cosanpa por falta de investimento.
A reportagem do DIÁRIO solicitou posicionamento da Cosanpa sobre o assunto. Até o fechamento desta edição não houve resposta.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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