Em uma situação de endividamento financeiro, não é só o bolso que sente o baque. O constrangimento pelo fato de estar “com o nome sujo na praça” é motivo de vergonha para boa parte dos inadimplentes, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), no ano passado. 43% dos entrevistados confirmaram o constrangimento, principalmente diante de familiares e amigos.
De um modo geral, o estresse gerado pelo fato de estar endividado pode levar a problemas psicológicos e até mesmo a um quadro de depressão, segundo a psicóloga Rosario Portela. Para ela, é preocupante a facilidade com que é possível se endividar nos dias de hoje, seja por compras a prazo ou por empréstimos. “Quando a pessoa vê, está enredada, sem saída, com dificuldades para manter o básico, como o supermercado do mês”, critica. E ela explica que admitir-se endividado pode significar também uma outra questão que merece atenção. “Teoricamente, endividar-se é gastar mais do que se ganha. Mas o constrangimento também tem a ver com uma falta de controle”, avalia. “Dinheiro é símbolo de poder, e não ter, para alguns, é o como não ser nada. A compulsão pela compra está na mesma grade de compulsões como bebida, comida ou sexo”, detalha.
INTERNET
Economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (Corecon-PA), Nélio Bordalo relata que esse embaraço é ainda maior dentre pessoas que sempre tiveram suas contas em dia e hoje passam por alguma dificuldade por terem perdido o emprego ou terem tido queda na renda. Ele cita como empecilhos para resolver o problema a falta de treinamento e até mesmo de tato de quem faz o relacionamento entre empresa e cliente em situação de inadimplência. “Ganham pontos, nesse sentido, os bancos e institutos que permitem essa negociação via internet, o que poupa a pessoa da exposição”, justifica.
Ele indica que, se em dívidas, a pessoa deve buscar alguém próximo para dividir a angústia, seja da família ou não. “Não necessariamente para pedir ajuda financeira, mas até mesmo para conversar sobre o assunto e chegar a uma solução, para pedir companhia rumo ao setor de negociação de pendências”, sugere. “Ninguém quer ter uma dívida, mas não tentar resolver pode aumentar o valor devido”, alerta.

(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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