Mesmo com o desbloqueio do portão de acesso do aterro sanitário de Belém, localizado em Marituba, na Região Metropolitana, no último sábado (3), a capital paraense ainda sente o mau cheiro da crise do lixo.
VEJA IMAGENS
O problema veio à tona na última quarta-feira (1°), quando a população daquele município interditou o acesso ao local, revoltada com a falta de tratamento adequado dos resíduos e a poluição do solo e mananciais da região.
Segundo a Prefeitura de Belém, a expectativa com a retomada dos trabalhos é normalizar a coleta e atender 100% das ruas até hoje. No entanto, o problema parece estar longe do fim.
PONTOS TURÍSTICOS
Das periferias aos pontos turísticos, ontem a capital amanheceu com as vias tomadas de sacolas de lixo. Distante quatro quarteirões da sede da Prefeitura, a praça Amazonas, no bairro da Cidade Velha, que fica em frente ao Espaço São José Liberto, estava tomada por entulhos, na calçada e nos canteiros das árvores.
O taxista Paulo Sérgio, 33, que trabalha no local há dois anos, diz que os carros da coleta já não passam por lá há uma semana. “É lamentável, principalmente aos turistas, que olham a sujeira”, reclama.
LIXÃO IMPROVISADO
Da porta de casa de família em que trabalha, a doméstica Lucélia Marques, 46, há uma semana, se depara com um lixão. As sacolas amontoadas na lateral da rua Osvaldo Caldas Brito, no Jurunas, são o motivo do mau cheiro e da frequente presença de ratos, insetos e urubus. “Está uma bagunça geral. É insuportável conviver com o lixo”, desabafa.
Ao longo das avenidas 16 de Novembro, na Cidade Velha, e Gentil Bittencourt, em São Brás, consideradas regiões nobres, as calçadas estavam tomadas por resíduos acumulados dentro e fora de lixeiros.
PROBLEMA ANTIGO
O problema do lixo, que já incomoda há anos o aposentado Manuel Pantoja, 76, se agravou na rua Mirandinha, no bairro da Sacramenta, depois desta crise. O acúmulo que bloqueia a entrada da via já obrigou até os comerciantes que trabalham com alimento a fechar as portas. “O fedor está tão forte, que a moça que vende lanche não abre hádois dias”, revela.
O morador conta ainda que a coleta normalmente é precária, passando uma vez na semana, quando o correto seriam três vezes.
Na avenida Oeste, no conjunto Providência, até as grades das janela das casas servem de cabide para o lixo. As lixeiras já não suportam a quantidade depositada há uma semana. “Já estamos colocando no chão. Se continuar assim, a calçada será toda tomada”,critica o comerciante Miguel Silva, 55.
O festival de sacolas de lixo na frente das residências também faz parte do cenário de descaso nos conjuntos CDP, Paraíso dos Pássaros e Promorar, no bairro do Val-de-Cans.
O militar Asael Barbosa, 53, mora na quadra 37, do CDP. Para evitar o mau cheiro e a presença de ratos e insetos, atraídos pelo lixo, a comunidade paga carroceiros, que recolherem os resíduos das portas das casas. “A coleta devia ser segunda, quarta e sexta-feira, mas só tem um dia na semana”, lembra. Com a crise, o problema ficou ainda mais grave. “Penduramos nas grades, pois dentro de casa não podem ficar”, lamenta.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar