Não tem jeito: seja no Centro ou na periferia da capital paraense, virou rotina para os moradores ter de conviver com a cidade esburacada. Motoristas fazem ziguezague para desviar os veículos dos buracos, enquanto pedestres sofrem até para atravessar as ruas. Além de prejudicar a parte mecânica do automóvel, a buraqueira também oferece riscos de acidentes tanto para pedestres, como para ciclistas, motociclistas e motoristas. Ontem, o DIÁRIO flagrou várias ruas do bairro do Tenoné, em Belém, em estado precário, a exemplo da passagem Alacid Nunes. A via está totalmente esburacada e em boa parte dela a lama já substituiu o asfalto.
Veja galeria de fotos de ruas em estado crítico em Belém
Augusto Montenegro continua um caos total (Foto: Marcos Santos)
Moradores sinalizaram a via para evitar acidentes (Foto: Marcos Santos)
DINHEIRO NO LIXO
Com várias vias em situação semelhante, somente este ano já foram gastos, segundo a Prefeitura, quase R$ 1 milhão em obras de manutenção da malha viária da capital, de acordo com dados do Portal da Transparência. Mas o problema está longe de ser resolvido.
No caso da avenida Augusto Montenegro, a situação não é mais uma novidade. Para quem não encontra outra alternativa, resta ter paciência e enfrentar o transtorno. No período chuvoso, a situação é ainda pior, não somente naquela região, já que os motoristas têm de redobrar o cuidado para não bater o veículo nos buracos e, assim, causar prejuízos ainda maiores.
POULAÇÃO CANSADA
Devido aos constantes acidentes na área, moradores do Residencial Benedito Monteiro, situado naquela avenida, no bairro do Tapanã, utilizaram pneus para sinalizar os buracos abertos na via. Um deles é o comerciante Antônio da Silva Ferreira, 48, que se sente prejudicado pelo estado em que um dos principais corredores da cidade se encontra, sobretudo devido às obras do Bus Rapid Transit. “Belém está abandonada. Da frente do Mangueirão para cá, a gente não pode mais passar com o carro.
É quebrando carro, gente caindo de moto todo dia”, critica, acrescentando que paga caro em impostos para a Prefeitura e outros órgãos, como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). “A Prefeitura arrecada muito dinheiro e cadê esses investimentos? Um milhão de reais só para tapar buraco?”, questiona.
O descaso se repete em outras áreas da cidade, como na travessa Angustura, entre as avenidas Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma, no bairro do Marco. Ao passar pelo local, a equipe de reportagem contabilizou, pelo menos, 20 buracos na via.
“Tem um mês que taparam e já abriu tudo de novo. Os clientes reclamam porque, quando chove, não dá para saber onde tem buraco”, critica o mecânico Edson Santos, 23, que trabalha há quatro anos em uma locadora de veículos situada naquele perímetro.
Na Pedreira, o cenário é o mesmo (Foto: Marco Santos)
Cratera no Reduto aumenta risco de acidente
Há pouco mais de uma semana, parte de uma galeria subterrânea se rompeu abrindo uma enorme cratera na avenida Marechal Hermes, no bairro do Reduto, que danificou parte do asfalto da via e do calçamento da Praça General Magalhães.
Com isso, os veículos que trafegam naquela avenida, no sentido Ver-o-Peso, foram deslocados para a avenida General Magalhães e seguem na contramão em direção ao sentido da Praça Waldemar Henrique. “A Prefeitura é inoperante. Os ônibus estão indo na contramão e corremos sérios riscos de acidentes aqui”, disse o taxista Gerson Bernardo da Luz.
Segundo o engenheiro da empresa responsável pela obra de restruturação da galeria, Edemir Beltrão, os serviços no local devem ser concluídos em um período de 20 dias.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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