A intenção é levar o espectador para uma viagem pela história da música percussiva paraense e, ao mesmo tempo, apresentar verdadeiras referências do gênero na atualidade. Assim o público confere hoje a primeira edição do “Repercute – Festival de Música Percussiva do Pará”, com diversos shows, a partir das 19h45, no Theatro da Paz. O grupo Barbatuques e os paraenses do Trio Manari e da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó são as grandes atrações da noite. Os ingressos são gratuitos, com distribuição na bilheteria, a partir das 9h, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível.
“A percussão é um universo comum na maioria das tradições culturais no Brasil e no mundo. Manifestações como o boi, maracatu, samba, coco, catira, jongo e outros têm como base a música percussiva. O ritmo é essencial para que as pessoas possam se comunicar através do mundo da música e ver a beleza de seus naipes, seus encaixes, suas claves, sua orquestração. É sempre algo forte. Nosso corpo é uma sincronia rítmica por essência”, afirma André Hosoi, um dos fundadores do Barbatuques.
O grupo musical paulistano desenvolveu, ao longo de sua trajetória, uma abordagem única da música corporal através de suas composições, técnicas, exploração de timbres e procedimentos criativos. Além de participar de grandes eventos, como a Copa do Mundo da África (2010), possui dois DVDs e quatro CDs, entre eles, o recém-lançado “Ayú”. O álbum conta com composições de vários integrantes do Barbatuques, além de músicas de Naná Vasconcelos e Hermeto Pascoal “que também participam do disco e são eternas referências para nós”, declara Hosoi.
O show em Belém será baseado no repertório do disco, recheado de influências musicais de todo o mundo, passando pelo flamenco, ska, pop e jazz, além dos ritmos brasileiros como baião, samba e maracatu. “E o público também participa, afinal tem o mesmo instrumento que nós no palco, o corpo”, destaca o músico.
O grupo, que completa 20 anos, começa a produzir um show comemorativo. Também lança no segundo semestre uma plataforma de ensino à distância de suas técnicas vocais e musicais, assim como o “Barbatuquices”, seu novo DVD infantil. “São projetos em que estamos muito empolgados e trabalhando com afinco”, comenta Hosoi.
BATUQUES AMAZÔNICOS
As atrações paraenses do Repercute - Festival de Música Percussiva do Pará, esta noite, também são de peso. Após a recepção do público com o músico Leo Beat Box, a primeira a subir no palco é a Orquestra Pau e Cordista de Carimbó, que tem a estrutura compacta de um bloco popular, bebendo na fonte da musicalidade amazônica. Como o próprio nome sugere, o grupo tem como pilar o carimbó – por si só, um universo de diversidade. O projeto é recente e teve sua estreia em 2016, na festa “Lambateria”, idealizada pelo músico Félix Robatto, contando com a participação do guitarrista Lucas Estrela.
Já o Trio Manari, formado pelos percussionistas Márcio Jardim, Nazaco Gomes e Paturi (Kleber Benigno), encerra a noite com toda a maturidade de um grupo consagrado na música percussiva paraense. Realizando pesquisas e produzindo instrumentos exclusivos da Amazônia há mais de 15 anos, como o curimbó, feito de madeira rústica e de couro de boi, o grupo também tem como base o ritmo mais tradicional do Pará, o carimbó.
“O festival Repercute abrangerá todas as expressões percussivas: dos tambores da música negra ao carimbó, do beat box à música feita com o próprio corpo, dos berimbaus da capoeira às baquetas das baterias das escolas de samba”, adianta Gibson Massoud, diretor executivo e artístico do evento, promovido pela Sonique Produções, com incentivo da Lei Semear e patrocínio da plataforma Vivo Transforma.
TODOS OS SONS
Repercute - Festival de Música Percussiva do Pará
Quando: Hoje, a partir das 19h45.
Onde: Theatro da Paz (Av. Presidente Vargas, s/n, Praça da República – Campina).
Quanto: Doação de 1kg de alimento não perecível, na bilheteria do teatro, a partir das 9h.
Informações: (91) 4009-8750.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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