A Revita Engenharia Sustentávelanunciou que fará obras de melhoria no aterro sanitário de Marituba para acabar com o forte odor que vem incomodando as comunidades vizinhas nos últimos dias. A empresa foi bastante criticada nos últimos dias, se tornando pivô da crise do lixo, em protestos de moradores incomodados com o forte mau cheiro que interditaram o acesso à firma, impedindo o depósito do lixo da Região Metropolitana de Belém no local.
Segundo a Revita, as fortes chuvas do último mês aumentaram o volume de água e impactaram o aterro, espalhando o odor em bairros vizinhos. As ações da empresa serão concentradas em 4 frentes que atuarão diretamente na redução da geração, ampliação do armazenamento e tratamento de chorume; ampliação do uso de falcão-robô para afugentar aves de forma pacífica; preparação de nova célula para recebimento de resíduos; e um programa de relacionamento com a comunidade para ouvir demandas.
De acordo com a Revita, as ações serão comandadas pelo novo gerente geral da Guamá Tratamento de Resíduos, Michel Bacelar. A companhia afirma que irá triplicar o parque de máquinas para cobertura do aterro com solo em ritmo mais acelerado e adotando mantas para casos emergenciais devido às fortes chuvas. E também anunciou que irá triplicar a capacidade de tratamento de chorume.
Após denúncias de que o chorume estaria contaminando os mananciais da região, a Revita informou que monitora sua operação continuamente e segue realizando laudos de qualidade de água. Segundo a empresa, esses testes são realizados por laboratórios certificados e acreditados pelo Inmetro e enviados para posterior análise na UFPA. Nenhum resultado demonstrou qualquer alteração na qualidade de água superficial ou subterrânea na região.
CHORUME
Para o engenheiro sanitarista Giovanni Penner, professor na Faculdade de Engenharia Sanitária e Ambiental do Instituto de Tecnologia da UFPA houve algumas falhas operacionais que, somadas as chuvas acima da média, resultaram com um elevado volume de chorume acumulado em lagoas e o não recobrimento de parte dos resíduos depositados no aterro sanitário.
Isso culminou com o elevado nível de odor desagradável e provocou protestos, que interditou a entrada do aterro por 48 horas e provocou aumento dos lixos nas ruas da Região Metropolitana de Belém. “Belém, Ananindeua e Marituba devem aproveitar o momento para colocar em prática de fato os seus programas de coleta seletiva, minimizando a quantidade de resíduos destinados ao aterro sanitário”, diz o engenheiro. “É importante mencionar que a empresa que gerencia o aterro afirma não estar recebendo adequadamente das prefeituras de Belém e Ananindeua”, destaca.
Há cerca de 10 dias, moradores fizeram protestos, em virtude do mal cheiro (Foto: Mauro Ângelo)
Fechamento seria retrocesso, diz Fiepa José Conrado, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) ressalta que o aterro é de suma importância para a região metropolitana, tendo em vista que ainda não há uma solução diferenciada para a destinação do lixo. “Consideramos um retrocesso o fechamento do aterro, pois isso nos levaria a depositar novamente os resíduos no Aurá. O que apoiamos são medidas emergenciais para contornar a situação e depois soluções definitivas”. Ele ressalta que a questão envolve não só o setor produtivo, mas a sociedade em geral. ”A destinação do lixo é um problema contínuo e crescente para o qual as prefeituras não conseguem solucionar”. Para ele, o poder público municipal deveria criar planos de ação que facilitassem a destinação do lixo, como incentivar à coleta seletiva ou mesmo criar pontos intermediários de recepção de lixo. |
(Diário do Pará)
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