Qualquer morador de Belém sabe. A cidade sofre em todos os setores, principalmente nos mais importantes para qualquer sociedade, como saúde, segurança, educação e infraestrutura. O que os cidadãos belenenses sentem todos os dias na pele, agora está comprovado em dados e estatísticas. Pesquisa realizada pela consultoria Macroplan e divulgada, na última sexta-feira (10), pela revista Exame mostra que Belém é a 4ª pior capital do Brasil. Ou seja, das 26 capitais do País - Brasília não entrou no estudo -, Belém só não é pior do que três: Macapá, Porto Velho e Maceió.
A capital paraense perde até para outras capitais do Norte, como Manaus (AM), Rio Branco (AC) e Boa Vista (RR). Com escolas municipais sucateadas e entregues à ação de criminosos, saúde pública em estado de emergência, violência assombrando os moradores em todos os bairros e infraestrutura precária - sem saneamento, lixo por todo lado e alagamentos constantes -, não é de se estranhar que Belém tenha ficado em posição tão lamentável no ranking montado pela pesquisa.
A situação, no entanto, é ainda pior. É que a realidade da capital paraense tem piorado com o passar do tempo. O estudo divulgado pela Exame utilizou dados de 2005 a 2015 e constatou que, nesse intervalo de 10 anos, Belém caiu ainda mais nos indicadores sociais.
Saúde: hospitais lotados e sem médicos (Foto: Celso Rodrigues)
Educação: sem estrutura nas escolas, alunos têm aula em corredores (Foto: Elcimar Neves/Arquivo)
Falta de saneamento é um dos maiores problemas da capital (Foto: Ney Marcondes)
CADA VEZ PIOR
Avaliando o desempenho das 100 maiores cidades do País, a pesquisa constatou que a capital do Pará apresentou queda em todas as áreas: educação e cultura, saúde, segurança, infraestrutura e sustentabilidade. Considerando todas as cidades pesquisadas, Belém caiu de uma péssima 87ª colocação, em 2005, para um ainda mais lamentável 89º lugar, em 2015. Em outras palavras: entre as 100 cidades avaliadas, Belém é pior do que 88. É de deixar qualquer paraense revoltado.
A pesquisa reflete com perfeição a situação de Belém. Na área de saúde, por exemplo, a cidade reduziu a cobertura das equipes de atenção básica, que era de 51,9% da população, em 2008 (gestão de Duciomar Costa), para 44,1%, em 2015 (gestão do atual prefeito, Zenaldo Coutinho). A taxa de mortalidade infantil continua entre as mais altas do País, colocando Belém numa vergonhosa 90ª posição nacional. Segundo a análise da Macroplan, Belém tem baixa cobertura de atendimento básico, alta taxa de mortalidade infantil e baixa proporção de bebês nascidos vivos.
Para os especialistas, tudo isso é resultado de má gestão do dinheiro público, falta de compromisso social e irresponsabilidade na administração. Segundo o diretor da Macroplan e coordenador da pesquisa, Glaucio Neves, “é preciso avaliar a qualidade do gasto e o que a gestão entrega à sociedade com cada real que recebe”.

| Na última semana, Belém ficou tomada de lixo. Até agora, o problema não foi resolvido pela Prefeitura (Foto: Fernando Araújo) |
E a população vivendo, literalmente, em cima do lixo
Enquanto Belém amarga as últimas colocações nos rankings nacionais, o povo sofre com os problemas causados pela falta de gestão pública. Há uma semana, as ruas da capital ficaram tomadas de lixo, devido a um protesto no aterro sanitário de Marituba. Em vez de tentar resolver rapidamente o problema, o prefeito Zenaldo alongou sua folga de Carnaval e passou o resto da semana em Florianópolis, que é a 2ª melhor capital do País. Durante toda a semana passada, os moradores de Belém foram obrigados a conviver com o lixo espalhado pela cidade. Pior: o problema continua, mesmo após a liberação do aterro, ocorrido na sexta-feira retrasada (3). Mais de uma semana depois, nada tinha sido feito.
(Luiza Mello/Diário do Pará)
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