Vereadores de Belém farão uma visita, às 7h da próxima quarta-feira (15), ao aterro sanitário de Marituba para verificar in loco as condições de funcionamento, assim como a situação dos moradores da área. O anúncio foi feito na tarde de ontem, durante uma sessão especial realizada na Câmara Municipal de Belém, reunindo representantes de entidades e movimentos sociais, do Governo do Estado e das prefeituras de Belém, Ananindeua e Marituba.
O objetivo era discutir e encontrar soluções para sanar a crise instalada na Região Metropolitana de Belém, envolvendo desde a coleta, o tratamento, até a destinação final do lixo produzido na Região Metropolitana de Belém. Propositor da sessão que foi aprovada por unanimidade pelos membros da CMB, o vereador Toré Lima (PRB) ressaltou que esta é apenas uma das medidas adotadas para buscar uma solução emergencial para a situação de caos que ficou evidente com o fechamento do aterro sanitário, em protesto feito por moradores de Marituba no início deste mês, quando bloquearam a entrada do aterro.
Com as contribuições apresentadas na sessão, a ideia é formular um documento para cobrar soluções às autoridades competentes. Para o presidente da CMB, o vereador Mauro Freitas (PSDC), por ser o único licenciado, o aterro precisa permanecer, porém ele também reforça que os problemas precisam ser solucionados. “Se fechar, para onde vão os resíduos? O papel dos parlamentares é cobrar os investimentos”.
Já para o líder do bloco do PHS e PMDB na CMB, o vereador Igor Normando (PHS), a população afetada pelo odor do chorume não tem mais condições de conviver com esse problema. “Existe uma omissão muito grande, principalmente do Governo do Estado. Se não houver solução pertinente, a situação vai ficar cada vez pior e a população ainda mais revoltada”, frisa.
MARITUBA DOENTE
A instalação de um empreendimento em área urbana, para o tratamento e destinação de resíduos, tem causado um impacto imensurável na vida da população. A afirmação é de Hélio Oliveira, representante do Fórum Permanente Fora Lixão de Marituba. Morador daquele município há 25 anos, Hélio garante que “a população está doente e morrendo aos poucos” devido ao forte odor do chorume (líquido proveniente do lixo) – oriundo da RMB pela CTPR. Hélio garante que a licença dada pelo Governo do Estado à Revita não levou em consideração os impactos ambientais. Por isso, o movimento planeja processar o Governo do Estado e também à Revita por danos físicos, materiais, morais e financeiros.
Ele diz ainda que, junto com a comissão formada por representantes da comunidade de Marituba e parte de Ananindeua, MPPA, OAB, Sespa e Semas, está sendo discutida a viabilidade de um outra alternativa para a destinação dos resíduos sólidos. As próximas ações do movimento serão uma audiência na Câmara Municipal de Marituba, no próximo dia 20, às 9h. Já no dia 22, às 7h, haverá um ato na Praça Matriz do município.
NÃO FOI
Em comunicado enviado à CMB na tarde de ontem, a empresa responsável pela operação da Central de Processamento e Tratamento de Resíduos (CTPR) de Marituba, a Revita Engenharia justificou a ausência na sessão ao dizer que o “convite só chegou hoje (ontem) à empresa, inviabilizando o deslocamento”.
(Priscyla Soares/Diário do Pará)
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