Pela segunda vez este mês a coleta de lixo está suspensa nos municípios de Belém, Ananindeua e Marituba. Os moradores que vivem próximo ao aterro sanitário de Marituba, que recebe todo o lixo da Região Metropolitana, voltaram a interditar o acesso à entrada do local, na noite da última quinta (16). Além do mau cheiro e dos problemas de saúde que estariam sendo causados pela sujeira, os manifestantes alegam que agora outro motivo provocou o protesto: a falta de atitude do Governo do Estado e da Prefeitura de Belém, que não cumpriram as medidas socioambientais prometidas para conter os problemas.
Apesar do bloqueio, ontem à noite o Tribunal de Justiça do Estado (TJPA) deferiu tutela de urgência, a pedido da Prefeitura de Belém, determinando a liberação imediata do local e impedindo qualquer outra manifestação que possa vir a impossibilitar a entrada dos carros coletores no aterro.
Até o fechamento desta edição, a entrada do aterro continuava interditada, mesmo após a expedição da liminar. Segundo a manifestante Val Freire, o grupo irá cumprir a decisão judicial, mas somente neste sábado. “Nós vamos acatar. Nosso movimento é pacífico e não queremos confronto com a Polícia, que conversou com a gente. Cumpriremos a determinação judicial hoje, mas ontem nenhum caminhão entra no aterro”, revelou a moradora.
PROBLEMAS
O mau cheiro e a poluição do ar estão afetando alguns serviços públicos em Marituba, como escolas e unidades de saúde. A população alega que foram prometidas 20 medidas para solucionar o problema, mas até o momento nenhum prazo foi dado para resolver a questão.
A decisão desta nova interdição foi tomada na noite de terça (16), durante uma assembleia dos moradores do entorno. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Santa Clara, Marco Cabral, os representantes da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e da Prefeitura de Belém prometeram criar soluções para evitar a poluição dos mananciais e do ar. “São várias medidas, mas até agora não temos visto nenhuma providência a ser tomada”, acusa.
Antônio Rodrigues, 46, morador do bairro Campina Verde, também reclama da falta de providências. “Só quem mora em Marituba sabe o problema. Queremos soluções, e não conversa”. Com dois filhos, um de oito meses e outro de quatro anos, a dona de casa Liliane de Souza, 23, lamenta o mau cheiro que tem causado problemas de saúde. “As crianças vivem doentes. Falta de ar e diarreia. Cobramos que algo seja feito”, argumenta a moradora do Uriboca.
Nas ruas, o lixo começa a se acumular (Foto: Fernando Araújo)
À noite, a situação piorou (Foto: Rogério Uchôa)
PROMESSAS
Instalada em Marituba e administrada pela Revita, grupo que gerencia vários aterros sanitários no Brasil, a empresa Guamá Tratamentos de Resíduos disse que está empenhando todos os recursos técnicos e financeiros com o objetivo de sanar o problema de odor, além de realizar as melhorias definidas em conjunto com a comunidade.
A Semas informou que diariamente vistoria o aterro para que os problemas operacionais encontrados no empreendimento sejam regularizados. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) também se manifestou sobre o assunto, dizendo que “tem cumprido todos os itens firmados em reuniões passadas”.
A Prefeitura de Belém confirmou que a coleta de lixo domiciliar está interrompida em Belém e distritos desde a noite de quinta (15), quando uma parte do roteiro noturno foi executada, mas os caminhões não conseguiram efetuar o descarte no aterro sanitário em Marituba e voltar para atender novas demandas por conta da interdição. A Prefeitura de Ananindeua também anunciou a suspensão do serviço
PARA ENTENDER
- No início deste mês, os manifestantes bloquearam por três dias o acesso ao local.
- Com a interdição, a coleta de lixo na Grande Belém foi interrompida e a sujeira foi generalizada por mais de uma semana.
- De bairros nobres às periferias, o cenário era de sacolas espalhadas nas calçadas à beira de canais e nas feiras.
- Com o objetivo de fiscalizar os trabalhos no Aterro Sanitário, uma comissão de vereadores de Belém foi ao local, na última quarta (15). Porém, ninguém entrou no espaço, por decisão da Empresa Revita, que administra o local.
- Os vereadores disseram que o Aterro tem 80 milhões de litros de chorume sem tratamento e que isso estaria provocando o mau cheiro em Marituba.
(Roberta Paraense e Pryscila Soares/Diário do Pará)
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