O menino Pablo Guilherme Aníbal Silva, de cinco anos, não resistiu e morreu na quinta-feira (16). O enterro do corpo da criança foi ontem.
A história dele comoveu os internautas do DOL. Desde os dois anos, o menino lutava contra uma leucemia e foi definida a urgência de um transplante para salvar a vida de Pablo.
Pelas redes sociais, amigos e familiares do garoto faziam uma campanha para encontrar um doador para Pablo.
De acordo com Gleber Ferreira, pai do menino, as doações foram baixas e não houve nenhum doador compatível.
“Tentamos também ir para São Paulo, continuar o tratamento lá, mas nunca conseguíamos vaga”, contou.
Para outros pais que estão com filhos à espera de um doador, o pai deixou um recado: “Quanto antes você procurar tratamento com recursos, melhor. No hospital Octávio Lobo o tratamento é só o básico. Não existem equipamentos e laboratórios. Se precisar fazer uma tomografia, é preciso ir ao Porto Dias e isso dificulta para os pacientes”, desabafou.
ACOMPANHAMENTO
Pablo era acompanhado por equipes do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. Sobre a declaração do pai do menino, a direção do hospital esclareceu que prestou toda a assistência necessária, bem como, o apoio da equipe da Psicologia para o paciente que tinha como diagnóstico uma leucemia refratária (que não responde a nenhum tipo de tratamento).
O Hospital Oncológico garantiu que oferece tratamento para casos de alta complexidade na unidade, com garantia de todos os quimioterápicos necessários, bem como, realização de testes de genética molecular.
“Os exames de tomografia são realizados externamente, no Hospital Porto Dias, por conta da baixa demanda na instituição para a manutenção própria. A opção de contratação da prestação de serviço é em função de que este é um exame complementar ao tratamento oncológico, sendo utilizado, principalmente, em casos de tumores sólidos. Todos os exames são custeados pelo Hospital Infantil Octávio Lobo”, explicou a direção do hospital em nota.
“Em relação aos exames laboratoriais, pela complexidade do tratamento, a unidade optou por ter um laboratório já certificado e reconhecido, garantindo, assim, uma prestação de serviço de excelência”, continuou. Hoje, o prestador de serviço é o Laboratório Paulo Azevedo. A coleta dos exames ocorre no Hospital Oncológico Infantil, estando a equipe do laboratório, na unidade.
Atualmente, o hospital possui 89 leitos, sendo desses, dez de Unidade de Terapia Intensiva, seis leitos de observação e dois leitos de emergência. Na área de quimioterapia, a instituição dispõe de seis posições de média duração, 15 posições de curta duração e 16 para longa duração. Há, também, um centro cirúrgico com quatro salas, que são equipadas com um parque tecnológico de última geração. A unidade garante a seus usuários a cobertura pública e gratuita pelo Sistema Único de Saúde, de todos os exames e consultas com médicos especialistas necessários.
O hospital informou ainda que mantém à disposição dos pacientes uma Unidade de Atendimento Imediato, que funciona 24 horas para atendimentos de urgência e emergência, equipada, inclusive, com um equipamento para resultados rápidos de exames laboratoriais, com resposta em uma hora para casos de emergência.
A direção da unidade disse ainda solidariza-se com a família do menino neste momento de dor.
FILA DE ESPERA
De acordo com a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, a fila de espera em todo o país é longa. Em 2016, ela já superava a marca de 1.500 pessoas. O aumento da demanda deve-se a um fator em particular: a compatibilidade. No caso desse tipo de transplante, as chances de se encontrar um doador compatível são de uma em 100 mil. No Pará, a missão de captar doadores e reforçar a importância do cadastro de medula óssea é da Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa).
A espera por um doador geneticamente compatível é o que determina o tempo que esse indivíduo permanecerá no aguardo pela intervenção cirúrgica.
Para se cadastrar basta se dirigir à unidade mais próxima do hemocentro estadual e fornecer os seus dados. O candidato precisa atender a alguns requisitos básicos, como ser maior de 18 anos, não ter histórico de HIV ou câncer e preencher um formulário. Na ocasião, a equipe especializada fará uma entrevista e retirará 5 ml de sangue para fazer os testes necessários e cadastrá-lo.
SAUDADES
Pelas redes sociais, profissionais que acompanharam a luta do menino e amigos dos familiares de Pablo postaram mensagens de luto.
(Antônio Santos/DOL)
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